Terra de muitos tons

terra de muitos tons

A primavera chegou e o ano  se aproxima do fim. Como é de costume, ao preparar a casa para as festividades surgem as indagações… O que devo plantar? Quanto vou gastar? Qual terra devo usar? Como cuidar?

Quando se compra um animal de estimação, todo mundo sabe que há de se cuidar e prevenir doenças, sem contar o amor, dedicação, e educação. Pois se tomássemos por base estes mesmos pré-requisitos na hora de escolher as plantas de estimação, quatro questões importantes viriam automaticamente à mente:

– Que tipos de plantas posso ter?
– Quais cuidados terei que tomar?
– Como conduzirei o crescimento da minha planta?
– Quantos anos durará?

Para começar, a primeira pergunta que se deve fazer é que plantas pode-se ter. Tudo vai depender das horas de luz solar (direta ou não), espaço disponível  (área de cultivo ) e compromisso pessoal em regar, cultivar e transplantar.

Vamos aprender então algumas coisas fundamentais sobre a terra em que vamos cultivar. Este será nosso ponto de partida neste primeiro post do Mãos a Horta. 

A terra, seja no chão, jardineira ou vaso, ao contrário do que parece não é uma fórmula única, nem possui as mesmas propriedades. Pode ser classificada por cor , textura (granulosidade) e densidade.

A cor revela a origem. Quanto mais escura, mais matéria orgânica tem. Quanto mais vermelha, maior o teor de óxidos, e quanto mais pálida, mais lavada foi.

A preta, de origem vegetal, é comum ao lado dos vales e dos rios onde a argila e a serapilheira se acumulam (serrapilheira é o acúmulo de folhas e restos orgânicos no pé das árvores). Esta terra é ótima em estrutura por ter muita matéria orgânica, é leve, bem drenada, rica em nutrientes. Pode ser muito ácida para alguns cultivares e perfeita para outros. É a terra natural das samambaias, musgos, folhagens de sombra e plantas da Mata Atlântica, como por exemplo, o Brinco de Princesa.

Porém muita atenção às falsificações do mercado, onde são agregados corantes como carvão, para fazer parecer preta. Se não manchar os dedos e não for pastosa, é falsa.

Quanto mais marrom, cor de chocolate, mais mistura de componentes argilosos, mais neutra e mais antiga em formação. É uma terra de pomares, carregada pelas chuva e depositada em pequenas reentrâncias do terreno. Boa para cultivo, porém um pouco mais pobre em matéria orgânica , o que favorece maior número de espécies. Basta que se acrescente adubo e se reestruture o solo para que volte a ficar leve, aerado, fofo.

Quando a terra é vermelha tem presença de óxidos minerais, principalmente ferro, o que também é bom. Uma terra rica, porém sem misturas, sem componentes orgânicos, pode ser a melhor terra para cultivo por ter muito minério. Por ser terra jovem, basta que se agregue os nutrientes de acordo com  as necessidades do cultivo e que sua estrutura esteja leve, bem drenada e afofada para dar muitos frutos. É a famosa terra roxa, chamada assim pelos imigrantes italianos, que colonizaram São Paulo no começo do século 19. Rosso, em italiano, quer dizer vermelho e assim ficou aportuguesado “terra roxa”.

E por último, a terra rosa ou desbotada,  é uma terra lavada pelas chuvas, com muita mica (minério composto de silicatos e oxigênio, muito comum no Brasil). Também conhecida como saibro, ela sofreu oxidação pelas intempéries – sol, chuva, calor e frio. Em geral coletada de barrancos, com origem arenosa, boa para os cactos e plantas rústicas. Em alguns casos é tolerável para cultivo de nativas do Cerrado, como Palmeiras e Lobeiras,  por ser uma terra ácida e com muito teor de alumínio.

Na semana que vem escreverei sobre a estrutura, granulosidade do solo e a necessidade de luz de sol para cada espécie de planta. Até lá!

Foto: domínio público/pixabay

Liliana Allodi

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

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