Marrocos terá maior complexo de energia solar do mundo

marrocos terá maior planta de energia solar do mundo

Localizado na costa noroeste da África, Marrocos enfrenta grandes desafios para suprir a necessidade energética de sua população: o país importa 97% de sua eletricidade e desde 1998, a demanda por energia cresce cerca de 8% ao ano. Extremamente dependende de combustíveis fósseis, não possui reservas próprias de gás ou petróleo.

Mas Marrocos está prester a mudar esta realidade. Sendo um dos países do mundo com o mais alto índice de horas de luz do sol – aproximadamente 3 mil horas por ano – o governo marroquino decidiu utilizar este potencial para conseguir sua independência energética.

Através de um investimento público-privado, a Moroccan Agency for Solar Energy (Masen) está construindo cinco plantas solares, que juntas, terão capacidade para produzir 2 mil megawatts de energia até 2020. O custo total do projeto é de US$ 9 bilhões e teve financiamento do Banco Mundial e Banco de Investimento Europeu. A primeira planta, Noor 1, situada em Ouarzaza, próximo ao Deserto do Saara, deve entrar em funcionamento agora em 2016 e as outras quatro até 2019.

Quando terminado, o complexo solar conseguirá levar eletricidade para milhões de casas no Marrocos. Outro objetivo do governo marroquino é reduzir a emissão de carbono, gás que é um dos principais responsáveis pelo aquecimento global. Segundo estimativas daquele país, com a produção do complexo, aproximadamente 240 milhões de toneladas de CO2 deixarão de ser emitidas por ano.

As fazendas solares de Marrocos funcionarão utilizando tecnologia de concentração solar (CPV, na sigla em inglês), mais cara e menos utilizada do que as mais populares células e painéis fotovoltaicos. A CPV utiliza espelhos ou lentes para refletir a luz do sol em pequenas superfícies, onde o calor derrete compostos químicos  – sal ou outra substância.

Cada espelho parabólico de Noor 1 mede cerca de 12 metros de altura. O calor gerado pelo sistema é direcionado para canos de aço, onde a temperatura chega a 393º C. Ao ser misturada com água, a substância cria vapor, combustível – natural e limpo – que faz funcionar as turbinas para produzir energia.

Uma das diferenças desta tecnologia para a fotovoltaica é que ela mantem o calor por mais horas, funcionando mesmo após o por do sol. Em Noor 1, as 800 fileiras de espelhos poderão produzir eletricidade por três horas no escuro.  A agência Masen afirma que as plantas Noor 2 e 3 serão capazes de permanecer funcionando até 8 horas após o sol se por.

Neste vídeo do Mail Online você consegue ter uma noção do tamanho do complexo solar de Noor 1, no Marrocos:


Foto: Alex Lang/Creative Commons/Flickr

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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