Tartarugas marinhas: sua sobrevivência depende de projetos de preservação

Em 16 de junho é celebrado o Dia Mundial das Tartarugas Marinhas (World Sea Turtle Day). A data foi criada com o objetivo de proteger e obter apoio para a conservação de todas as espécies de tartarugas marinhas do planeta. Nesse mesmo dia se comemora o aniversário do Dr. Archie Carr, herpetólogo, ecologista, conservacionista, fundador e diretor científico da ONG Sea Turtle Conservancy, que viveu de 1959 até 1987 (ano de sua morte).

A espécie no Brasil e o Projeto Tamar

As ameaças às tartarugas marinhas começam antes mesmo de elas nascerem. Muitos ninhos ficam em praias movimentadas e podem ser pisoteados ou atacados por animais domésticos. A iluminação artificial é outro problema: além de desorientar os filhotes, que podem morrer por desidratação, pode espantar as mães que estão prestes a desovar.

Ainda há o lixo: na areia, atrapalha as fêmeas que querem construir os ninhos e os filhotes que precisam chegar ao mar; no oceano, pode ser confundido como alimento e, por vezes, é engolido por engano, podendo matar o animal.

A tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) é considerada vulnerável pela IUCN (União Internacional para a
Conservação da Natureza, na sigla em inglês) – Foto: Banco de imagens Tamar

A tartaruga-verde (Chelonia mydas) está ameaçada de extinção segundo a IUCN
Foto: Jim Trodel/Creative Commons

Mas a principal ameaça é a pesca incidental. As tartarugas ficam presas aos anzóis e redes, não conseguem subir à superfície e acabam morrendo afogadas. Para combater essa ameaça, o Projeto Tamar realiza, desde 2001, o Programa Interação Tartarugas Marinhas e Pesca, com a finalidade de reduzir a captura por acidente com ações de monitoramento e implementar medidas mitigadoras, como anzóis circulares e cortadores de linhas.

Para garantir o sucesso reprodutivo das tartarugas marinhas, as bases do Tamar em áreas de reprodução no litoral (Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte, Espírito Santo e Rio de Janeiro) intensificam o trabalho nas praias e no mar durante esse período (setembro a março). A equipe do projeto monitora os locais de desova dia e noite.

As mães são identificadas assim que chegam às praias para desovar. A equipe também coleta amostras de pele para a realização de estudos genéticos. Os ninhos são escavados para coleta e análise de dados, como o tempo de incubação e a taxa de eclosão e espécie, entre outros.

A tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) é considerada vulnerável pela IUCN
Foto: Banco de imagens Tamar


 A tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) está ameaçada de extinção segundo a IUCN
Foto: FWC Fish and Wildlife Research Institute/ Creative Commons

Se algum ninho estiver em local perigoso, os ovos são transferidos para outros trechos da praia mais seguros ou são colocados em cercados de incubação nas bases do Tamar. O momento de abertura dos ninhos pode ser acompanhado nos centros de visitantes e acontece em maior intensidade entre novembro e fevereiro.

O trabalho de educação ambiental e inclusão social, que já é feito junto às comunidades locais e aos turistas, continua e pode ser responsável pela manutenção de cerca de 70% dos ninhos no local original.

As informações obtidas são armazenadas e inseridas no Sistema de Informações sobre Tartarugas Marinhas (Sitamar).

Equipe do Tamar monitora filhotes de tartarugas após a abertura de ninho – Foto: Banco de imagens Tamar

O Tamar protege cerca de 1.100 quilômetros de praias e está presente em 25 localidades, em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso das tartarugas marinhas, no litoral e ilhas oceânicas dos estados da Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. O projeto segue na luta pela conservação das cinco espécies de tartarugas marinhas encontradas no Brasil.

Nada mais justo do que um dia para lembrar da importância desses animais para o planeta.

Foto de abertura: A tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) se encontra criticamente ameaçada de extinção segundo a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) – Foto: Marc Tarlock/Creative Commons

Apaixonado por animais desde criança, logo decidiu estudar Biologia, formando-se pela USP em 2005. É técnico em turismo e trabalhou como guia a partir de 2008, tendo conduzido, por três anos, passeios de ecoturismo no Pantanal e na Amazônia. De 2011 até 2016, foi repórter e editor do site da revista National Geographic Brasil, onde nasceu o blog Curiosidade Animal (desde dezembro de 2016, aqui, no Conexão Planeta).

Fábio Paschoal

Apaixonado por animais desde criança, logo decidiu estudar Biologia, formando-se pela USP em 2005. É técnico em turismo e trabalhou como guia a partir de 2008, tendo conduzido, por três anos, passeios de ecoturismo no Pantanal e na Amazônia. De 2011 até 2016, foi repórter e editor do site da revista National Geographic Brasil, onde nasceu o blog Curiosidade Animal (desde dezembro de 2016, aqui, no Conexão Planeta).

Deixe uma resposta