Tartarugas marinhas estão entre as vítimas da passagem do furacão Dorian, na costa dos Estados Unidos

Tartarugas marinhas estão entre as vítimas do furacão Dorian, na costa dos Estados Unidos

Nas Bahamas, o número de vítimas fatais continua a aumentar, dia a dia, assim como os prejuízos, após a passagem do Dorian, considerado um furacão 5, número mais alto na classificação desses desastres naturais.

Até o momento, informações oficiais dão conta de 50 mortos, milhares de desaparecidos e desabrigados. As ilhas de Abaco e Grand Bahamas foram praticamente destruídas. Pouco sobrou em pé por causa da força da chuva e do vento, que chegou a quase 300 km/h. Segundo Hubert Minnis, primeiro-ministro do país, a reconstrução deve levar anos.

Mas além das vítimas humanas, o Dorian causou outros estragos por onde passou na costa do Oceano Atlântico. Apesar de ter perdido força ao chegar aos Estados Unidos, o furacão fez com que centenas de tartarugas marinhas aparecessem em praias do litoral dos estados de Delaware e Maryland, muitos delas, já mortas.

E não foi só. A água que invadiu a areia também destruiu milhares de ninhos de tartarugas. Apenas na região de Treasure Coast, na Flórida, em abril, havia mais de 6 mil ninhos das espécies cabeçuda (Caretta caretta) e mais de 2 mil da verde (Chelonia mydas).

Agora, em setembro, aconteceria o nascimento dos filhotes. Infelizmente, não havia nada a ser feito. Seria simplesmente impossível tentar tirar os ovos das praias. “Deixe a natureza seguir seu curso”, recomendaram os especialistas da Florida Fish and Wildlife Conservation.

Todavia, 20 filhotinhos de tartarugas-verdes, recém-nascidos e prematuros, foram resgatados e levados para um centro de tratamento do Brevard Zoo, na cidade de Melbourne.

A expectativa da equipe do zoo é que, assim que as tartaruguinhas estejam mais fortes, sejam devolvidas ao mar.

Também na semana passada, nos estados mais ao norte, foram encontradas tartarugas marinhas adultas sem vida. Próximo a Lewes, em Delaware, seis cabeçudas apareceram. Cinco delas estavam mortas.

A única sobrevivente estava debilitada. Ela foi enviada para o National Aquarium, em Baltimore. Os veterinários acreditam que o animal se chocou com um barco durante a tempestade provocada pelo Dorian. A tartaruga é enorme: pesa 124 quilos e mede quase 1 metro.

Desastres naturais: mais fortes e frequentes

Apesar de furacões serem fenômenos naturais e causarem muitas perdas humanas e animais, especialistas do clima destacam que com o aumento da temperatura da água dos oceanos e da superfície terrestre, esses desastres tornaram-se mais frequentes e fortes.

Fala-se até que, a categoria das tempestades deverá ser reavaliada e poderemos presenciar um aumento dela. Atualmente, como mencionei acima, o máximo é 5, com potência para destruir uma cidade inteira. Mas cientistas temem que em um futuro muito próximo, elas poderão chegar a uma categoria 6.

Estudos apontam, por exemplo, que nos dias de hoje, há mais 5% ou 8% de vapor de água circulando pela atmosfera do que há uma década. Junte-se a isso a água mais quente do fundo dos oceanos, onde os furacões se formam, e a fórmula para uma grande e devastadora tempestade está criada.

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Foto: reprodução Facebook Baltimore National Aquarium

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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