Tartaruga resgatada presa em rede de pesca tem intestino cheio de lixo plástico

Tartaruga resgatada presa em rede de pesca tem intestino cheio de lixo plástico

No últimos dias de dezembro de 2019, uma tartaruga verde (Chelonia mydas), espécie considerada em perigo de extinção pela Lista Vermelha, da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), foi encontrada presa, em uma rede de pesca, na praia de San Clemente, próximo a Buenos Aires, no litoral da Argentina.

Resgatada pela equipe da Fundação Mundo Marino, a tartaruga passou por uma série de exames, que detectaram que ela possuía uma enorme quantidade de lixo plástico em seu intestino.

“Através de radiografias, pudemos ver corpos estranhos. Portanto, iniciamos o tratamento com um medicamento que favorece seus movimentos peristálticos (do trato digestivo), que permitiu que ela eliminasse esses “corpos”, revelou Ignacio Peña, veterinário da Fundação Mundo Marino.

Em três semanas de tratamento, o animal defecou pedaços de bolsas e outras embalagens feitas de plástico – uma quantidade equivalente a duas sacolas e meia inteiras, quatro copos descartáveis ou 26 canudos.

“Não há apenas o risco de obstrução mecânica devido à ingestão de plástico. O acúmulo de elementos não nutritivos no sistema digestivo desses répteis marinhos pode causar uma sensação de falsa saciedade que os enfraquece gradualmente ”, explica Karina Álvarez, bióloga e gerente de conservação da Fundação Mundo Marino. “Além disso, uma grande quantidade de gás pode ser gerada em seus organismos, produto do plástico acumulado. O que afetaria sua capacidade de mergulhar, tanto para se alimentar quanto para encontrar temperaturas mais adequadas para sua sobrevivência”.

Agora a tartaruga resgatada está recebendo alimentação adequada: folhas verdes, principalmente alface e algas, e segundo os veterinários e biólogos que tratam do caso, sua evolução é favorável.

Em dezembro do ano passado também foi divulgado o resultado do Censo de Basura Costera Marina, que analisa os resíduos encontrados em praias argentinas. O levantamento apontou que 83,2% de todo o lixo coletado em 20 locais da costa de Buenos Aires é composto de plástico.

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Fotos: divulgação Fundação Mundo Marino

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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