Tanque da Vale vaza e polui mar do Espírito Santo com efluentes tóxicos


Parece brincadeira, mas aconteceu de novo e com a Vale, uma das responsáveis pela maior tragédia ambiental do país, no Rio Doce. Agora, um tanque da empresa, instalado na Praia Mole, na Serra Grande Vitória, no estado do Espírito Santo, vazou e despejou efluentes tóxicos direto no mar. Os impactos ambientais são inevitáveis, obviamente.

A notícia foi divulgada pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), em 1/12, assim que o desastre foi comunicado pela Vale. O órgão revelou que o vazamento começou por volta das 15h30 e que enviou quatro funcionários para o local para analisar sua gravidade do ‘acidente’. O que foi constatado por eles: os efluentes estão impregnados de minério de ferro, bentonita e calcário, certamente provenientes de processo industrial e drenagem, que foram jogados no mar sem qualquer tratamento, talvez por conta de falha em seu sistema.

Para Andreia Carvalho, diretora-presidente do Iema, disse que o episódio é grave. Ela disse ao portal G1: “Até que a empresa comprove a não ocorrência dessa gravidade, nós consideramos grave. Ao nosso ver, há danos, há impacto no mar e há possível impacto na areia”. A meu ver, ela foi otimista ou leve demais em sua análise.

Claro que a Vale se justificou (em nota à imprensa), dizendo que o lançamento desses efluentes foi devidamente comunicado aos órgãos ambientais por conta de situações de chuva extrema (o que aconteceu esta semana na região), que o material é inerte e havia passado pelo sistema de tratamento. Além disso, garantiu que os efluentes foram lançados por um ponto licenciado pelo órgão ambiental e monitorado constantemente pela Vale.

Mas, então, se esse risco existia e foi comunicado, deveria ter sido suficiente para impedir a instalação desse tanque, não? Mas não foi o que aconteceu e, agora, o que resta é avaliar os danos (o que não vai salvar a fauna e a flora locais) e pressionar a empresa para que conduza seu negócio de maneira segura. O que é mais que óbvio.

Efetivamente, o que pode acontecer à empresa, que continua impune (leia-se Samarco) pelo que aconteceu ao Rio Doce, sua fauna e flora e às famílias que em seu entorno moram ou moravam? Segundo o Iema, ela deve ser punida com multa e intimada a provar que está se adequando para que novos vazamentos não ocorram. Além disso, terá que apresentar um plano de ação urgente para reparar os danos causados.

 A Vale segue acumulando tragédias ambientais em seu currículo e parece não se importar com isso, afinal, faz parte do negócio. E o Brasil precisa crescer… custe o que custar. Inclusive o nosso futuro.

Fotos: Divulgação Iema

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

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