Tamanduaí: pesquisadores brasileiros são os únicos a estudar o menor e mais raro tamanduá do mundo

Tamanduaí: pesquisadores brasileiros são os únicos a estudar o menor e mais raro tamanduá

De pelagem muito densa e curta com coloração amarelo-dourada, o tamanduaí (Cyclopes didactylus) é a menor e mais rara espécie de tamanduá do mundo. Medindo cerca de 30 cm, sendo metade disso só de cauda, pesa não mais que 400 gramas.

Descrito pela primeira vez em 1758, o tamanduaí, tamanduá-anão ou tamanduá-seda, nomes pelos quais também é conhecido, habita florestas tropicais da América Central e do Sul.

No Brasil, acreditava-se, até há poucos anos, que a espécie só ocorresse na Floresta Amazônica e na Mata Atlântica. Mas foi encontrada uma subpopulação isolada, no Delta do Parnaíba, a mais de 1 mil km de distância. “Descobrimos esta população de tamanduaí, entre os Estados do Piauí e Maranhão, em 2009”, conta Flávia Miranda, coordenadora do Instituto de Pesquisa e Conservação de Tamanduás do Brasil, em entrevista ao Conexão Planeta. A organização sem fins lucrativos trabalha em prol da preservação não somente dos tamanduás, mas também tatus e preguiças.

Acredita-se que os tamanduaís nordestinos possam ter sido separados das populações amazônicas na Era do Pleistoceno, quando as Florestas Atlântica e Amazônica retraíram, sendo substituídas pela Caatinga. Por esta razão, a espécie do Delta do Parnaíba pode ter traços genéticos e evolutivos diferentes da qual foi originada.

Por esta razão, depois da descoberta no litoral nordestino, especialistas do Grupo de Tamanduás, Tatus e Preguiças da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) decidiram separar a subpopulação recém-descoberta daquela que vive na Amazônia. “Somente nosso grupo trabalha com esta espécie no mundo”, afirma Flávia. “O tamanduaí é um animal bastante raro e desconhecido”.

O tamanduaí vive no dossel das árvores

O que os pesquisadores do Instituto Tamanduá sabem é que o tamanduaí tem hábitos noturnos. Descansa durante o dia e faz suas atividades à noite. É um animal arborícola, que vive nas árvores e raramente desce ao chão. Com exceção do período de reprodução da espécie, vive sozinho. Alimenta-se basicamente de formigas e em menor número, de besouros.

Atualmente existem quatro espécies de tamanduás conhecidas no mundo, sendo que três delas ocorrem no Brasil. Entretanto, ainda não se tem ideia do número de tamanduaís que vivem no litoral nordestino.

A menor e mais rara espécie de tamanduá do mundo

 

O tamanduaí no Delta do Parnaíba

Localizado em uma transição entre Cerrado, Caatinga, restingas e mangues associados a sistemas estuarinos, o Delta do Parnaíba é considerado importantíssimo do ponto de vista biológico, com muitas espécies ainda desconhecidas para a Ciência, muitas delas endêmicas e restritas a pequenas áreas.

É por esta razão, que o Instituto Tamanduá iniciou o projeto “Tamanduaí, em Busca do Desconhecido”. A ideia é tranformar o animal em uma espécie guarda-chuva para a preservação dos ambientes costeiros e manguezais do litoral nordestino. “Guarda-chuva é como uma espécie símbolo. Preservando-a, assim como seu habitat, estaremos preservando todas as espécies que estão ao seu redor”, explica Flávia Miranda.

Flávia Miranda, à direita, examinando um tamanduaí

O trabalho realizado pela pesquisadora e toda equipe da ONG tem entre seus principais objetivos gerar maior conhecimento sobre taxonomia, sistemática, ecologia e distribuição do tamanduaí; identificar áreas prioritárias e criar Unidades de Conservação para a espécie e promover ações de educação ambiental para a sensibilização da sociedade.

“A grande carência de conhecimento sobre a espécie, e em particular sobre esta subpopulação nordestina, nunca antes estudada, aliada à crescente degradação do ambiente onde ela ocorre, faz com que tornem-se urgentes estudos que levantem informações sobre sua biologia e ecologia para que isso sirva de subsídio para implementação de futuras estratégias de conservação da espécie”, destaca.

30 cm, sendo metade disso só de cauda, e não mais que 400 gramas

Fotos: divulgação Projeto Tamanduá/Karina Molina

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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