Supermercados italianos terão desconto nos impostos ao doarem alimentos

alimentos italianos nos supermercados

Parece que o movimento contra o desperdício de alimentos está realmente ganhando força nos países da Europa. Primeiro foi a França que aprovou, em dezembro, uma lei que obriga supermercados a doarem alimentos que não foram vendidos. No mês passado, o WeFood abriu as portas em Copenhague, capital da Dinamarca, comercializando somente produtos com problemas na embalagem ou com prazo de validade para a venda vencido (mais ainda bons para o consumo).

Desta vez, são os italianos que decidiram entrar na campanha contra o desperdício de comida. Acaba de ser aprovada uma lei no Parlamento da Itália, com grande apoio dos principais partidos da casa, que estimula os supermercados a doarem produtos que estão com a data de validade perto do fim. O incentivo do governo italiano não poderia ser mais convincente: ele é financeiro!

Os supermercados que doarem alimentos receberão desconto na taxa do lixo. Quanto maior o volume de produtos doados, maior será o desconto. “Punir aqueles que desperdiçam é de pouco valor. O que dever ser entendido é que alimentos recuperados não são resíduos, mas a extensão da boa comida. E esta lei torna isso claro porque se baseia no conceito da doação”, destacou a deputada Maria Chiara Gadda.

Para entrar em vigor, a nova lei precisa ainda ser aprovada no Senado, o que provavelmente irá acontecer, já que o governo está colocando grande pressão para tal. “Estamos tornando mais fácil para as empresas doarem do que desperdiçarem”, afirmou Maurizio Martina, Ministro da Agricultura, ao jornal La Repubblica. “Hoje já conseguimos redestinar 550 milhões de toneladas de alimentos excedentes todos os anos, mas queremos chegar a 1 bilhão de toneladas ainda em 2016”.

O texto da lei estabelece também a doação de medicamentos, que estejam com prazo de validade perto de expirar. Além do desconto, o governo quer diminuir a burocracia para a doação. Atualmente, a empresa italiana que destina alimentos excedentes para instituições filantrópicas ou terceiros deve fazer uma declaração prévia, cinco dias antes da doação. Assim que a nova lei for aprovada, bastará que os supermercados informem ao final do mês as doações realizadas.

Para que não haja nenhum problema com a regulamentação da lei e para que ela garanta a segurança daqueles que irão consumir os alimentos ofertados, o texto é bastante complexo, com 27 artigos. Houve preocupação para que os produtos possam ser rastreados e que não acabem sendo comercializados em mercados ilegais. Para a parlamentar italiana, é necessário que fique bem claro para o consumidor que produtos com a etiqueta “melhor consumir antes de tal data…” podem sim, ser ingeridos após este período, sem riscos para a saúde. “O pão que não é vendido 24 horas após sua fabricação, certamente ainda está bom no dia seguinte e pode ser consumido”, exemplifica Maria Chiara.

Quando será que a onda contra o desperdício de alimentos vai chegar aos supermercados brasileiros? Já é mais do que hora.

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Foto: domínio público/pixabay

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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