Sting acusa Bolsonaro de “negligência criminosa em escala global” por queimadas na Amazônia

Podem criticar, podem falar o que quiser, mas Sting é ativista incansável desde o início de sua carreira. E se uniu a Raoni, lá nos anos 80, pra falar de preservação ambiental, dos povos indigenas e das florestas. Se aproveitou do cacique para se projetar ainda mais? Não! Foi um encontro bacana de duas pessoas alinhadas com a vida, que se uniram para amplificar suas vozes e defender esses temas (eles sempre se encontram pelo mundo – não exatamente para fazer campanhas, mas são muito amigos -, e, em maio de 2017 estiveram juntos em São Paulo, durante show do músico).

Em 1987, criou a fundação Rainforest Foundation e trabalhou com tribos indígenas brasileiras e em toda a América do Sul. E, agora – com as políticas anti-ambientais do governo de Bolsonaro, contra os indígenas e a preservação, e sua postura diante de fatos tão graves como as queimadas na Amazônia e outras regiões do país, ele não poderia se calar.

Em junho, sua organização já havia declarado Bolsonaro como “perigoso para a humanidade“. E, ontem, em sua página no Facebook, ele se manifestou veementemente. Condenou a resposta do governo – ou a falta dela – às queimadas devastadoras na Amazônia e acusou Bolsonaro de negligente e criminoso “em escala global”. Destacou: “líderes populistas que citam agendas nacionalistas ou afirmam que as mudanças climáticas e suas consequências são uma farsa são culpados de muito mais do que ficar parados e fazer nada. Isso é negligência criminosa em escala global”.

Também acusou o presidente brasileiro de incentivar o desmatamento e a exploração comercial da floresta amazônica, além de desvalorizar a reação do mundo aos incêndios. Não é pra menos: em suas declarações, ele demonstra total desprezo pelos povos indigenas, pelos quilombolas e comunidades tradicionais, que são os que verdadeiramente preservam as florestas no país. aquecimento global e já expressou desprezo em relação ao povo indígena que vive no Amazonas. Seu objetivo é explorar todos os recursos da região. Até a ultima gota.

Eis o texto de Sting, na íntegra:

“Reza a lenda que o Imperador Nero ‘tocava lira enquanto Roma queimava’. Enquanto obviamente nos arrepiamos com os fatos duvidosos de que um homem tão estúpido poderia ter sido um músico, nenhum de nós, eu incluso, poderia ser complacente com as dimensões trágicas do desastre que toma conta da Floresta Amazônica, enquanto escrevo. 

A Amazônia pega fogo em uma velocidade sem precedentes – 80% mais do que no último ano e 39% mais de desmatamento – e o mundo de repente começou a se dar conta. 

Líderes populistas citando agendas nacionalistas ou afirmando que as mudanças climáticas e suas consequências são uma farsa são culpados de muito mais do que ficar parados e fazer nada. Isso é negligência criminal em escala global. 

Não há mais lugar para clichés ultrapassados de nacionalismo em um mundo onde todos nós respiramos o mesmo ar e no qual todos sofreremos as consequências dessa negligência intencional

Chamar a Amazônia de “pulmão do mundo” pode não ser anatomicamente correto, mas convém o significado, já que é algo vital e insubstituível na cadeia do bem-estar de nosso planeta e o estreitamento crescente dos vetores climáticos com os quais a vida humana pode sobreviver. Simplesmente não podemos arcar com as queimadas! 

Nos aproximamos rapidamente do momento em que os incêndios vão continuar queimando e nada vai poder pará-los. 

Apelamos para o governo brasileiro mudar as políticas que abriram a Amazônia para exploração. Retórica nacionalista foi um dos motivos que inflamou as chamas que ameaçam engolir o mais importante laboratório de vida do planeta. Infindáveis espécies estão em risco iminente de extinção

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, falou abertamente que não é amigável em relação ao povo indígena e, agora, está voltando atrás de acordos de preservação de terra já assinados, abrindo territórios e desmantelando organizações de direitos científicos e humanos no Brasil para permitir que esse tipo de desenvolvimento avance.

Ele criticou os países do G7 por hipocrisia, dizendo que nós cortamos nossas florestas faz tempo, mas isso não é motivo para não aprender com esses erros. Todos nós devemos ajudar a criar um modelo de economia sustentável que torne desnecessária a destruição das florestas do Brasil. 

Na Rainforest Foundation, trabalhamos há três décadas com os índios e o povo amazonense – e não só no Brasil, mas em vários países da América do Sul, para proteger suas terras e seus direitos. É o mundo deles que está em perigo iminente, seu estilo de vida precisa de proteção. Agora, mais do que nunca, precisamos apoiá-los para garantir sua sobrevivência. 

Com toda a certeza é interesse próprio do Sr. Bolsonaro entender e aceitar isso. Nós imploramos para que ele revise suas políticas e transforme suas ações e sua retórica incendiária, antes que seja tarde demais. Não existe tempo para tocar lira: o mundo está queimando”.

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Fonte: revista Rolling Stone

Foto: Divulgação

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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