Startup cria pratos descartáveis e biodegradáveis com folhas de árvores

Há milênios os indígenas já usam folhas como pratos. Mas, o homem, muito mais “inteligente e civilizado”, criou o plástico. E com ele, pode-se fazer hoje praticamente qualquer coisa imaginável: garrafas, talheres, brinquedos, sacolas, móveis… O problema, entretanto, é que o ser humano produz atualmente um volume cada vez maior de deste material sintético. Em 1964, foram 15 milhões de toneladas de plástico. Em 2015, este número pulou para 322 milhões de toneladas.

Diversas iniciativas, espalhadas pelos mais diversos cantos do mundo, têm tentado encontrar novas soluções para a substituição do uso do plástico. Uma delas é na Alemanha. A startup Leaf Republic desenvolveu uma tecnologia que utiliza folhas de árvores para fabricar pratos e recipientes descartáveis.

Sem o uso de material sintético algum (nada de corantes, cola ou aditivos artificiais), os pratos são feitos com duas camadas de folhas e uma de papelão, no meio, prensadas e costuradas com fibras de folhas de palmeiras.

Segundo a Leaf Republic, os pratos descartáveis são resistentes à água, mas biodegradáveis. Quando deixados no meio ambiente, se decompõem em cerca de 28 dias.

Foram três anos de pesquisa, desenvolvimento de produto, protótipos e impressões em 3D. A primeira máquina de prensagem começou a funcionar manualmente no apartamento de Pedram Zolgadri, o idealizador do projeto.

Os pratos descartáveis se decompõem na natureza

Depois de realizar uma campanha de crowdfunding na plataforma Kickstarter, a Leaf Republic arrecadou recursos para aumentar a escala de produção dos pratos descartáveis e biodegradáveis. “Construímos uma máquina automática, que faz a produção mais rapidamente. Existem ainda algumas partes do processo de produção que devem ser refinadas”, contou Barbara Thorwarth, responsável pela área de Relações Internacionais, ao Conexão Planeta. “Atualmente nossos números de produção são de 15 milhões de unidades por ano”.

As folhas utilizadas na fabricação dos pratos da Leaf Republic chegam em Munique vindas da Ásia e América do Sul. Questiono Barbara porque não são usadas folhas da Europa, já que a linha de produção fica na Alemanha. “Elas precisam ser robustas, resistentes a líquidos e se manterem verdes por vários meses, mesmo em lugares frios e escuros”, explica. “Ainda não encontramos folhas assim em países europeus”.

Barbara garante que a startup faz pesquisas constantes com outros tipos de plantas. O objetivo é diminuir ao máximo a pegada de carbono da Leaf Republic, já que agora, as folhas são transportadas por navios até a fábrica alemã.

pratos descartáveis e biodegradáveis

O prato pode ser utilizado mais de uma vez, já que é resistente a líquidos

A startup ressalta que nenhuma árvore é derrubada para que os pratos de folhas sejam produzidos. A empresa luta, justamente, contra o desmatamento.

A cada dois segundos, florestas do tamanho de um campo de futebol são derrubadas. O volume chega a 13 milhões de hectares por ano. Por outro lado, a montanha de lixo que geramos anualmente só cresce: algo em torno de 1 bilhão de toneladas.

“Só viveremos um breve momento no planeta. Tudo o que temos é temporário. O que realmente conta é o que criamos. Nossas ações e decisões. Estas permanecerão para sempre. Se elas contribuem para termos uma empresa mais focada em sustentabilidade e desenvolvimento social, então teremos o melhor trabalho do mundo”, diz a equipe do Leaf Republic, que aparece na foto que abre este post.

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Fotos: divulgação Leaf Republic

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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