Spike Lee é o primeiro negro a presidir o júri do festival de cinema de Cannes

Semana agitada para o cinema mundial! Um dia depois de Democracia em Vertigem, da brasileira Petra Costa – sobre o processo fraudulento de impeachment de Dilma Roussef, em 2016 – ser indicado ao Oscar de melhor documentário, Cannes anunciou (hoje) a escolha do cineasta americano Spike Lee para presidir o júri do festival de cinema de maior prestígio no mundo.

No entanto, as notícias que se espalharam rapidamente pela internet destacam não seu talento, nem sua biografia, mas o fato de ser o primeiro negro a ocupar o cargo na história de 73 anos do festival e do cobiçado prêmio Palme d’Or.

Há de chegar o dia em que não será mais necessário celebrar situações como esta, mas enquanto o racismo estiver entranhado na sociedade, não importa o país, nem as circunstâncias, celebremos e nos indignemos. E não deixemos de lembrar que o racismo é estrutural, está espalhado por todo o planeta, nas mais diversas formas e classes sociais, e que deve ser combatido, sempre.

Por tudo isso, a indicação de Lee é um alento. Conhecido por seus filmes que denunciam o racismo, em pouco mais de 30 anos de carreira, abriu caminho para uma nova geração de diretores negros como Barry Jenkins (Moonlight), Ryan Coogler (Pantera Negra), Jordan Peele (Corra!) e Ava Duvernay (Selma).

Cannes já escolheu, como membros de seu júri, renomados afro-americanos como o ator Will Smith (2017) e a cineasta Ava DuVernay (2018), mas a nomeação de Lee é inédita. Ele sucede o sul-coreano Bong Joon-ho, diretor de Parasita, que disputa o Oscar deste ano em diversas categorias.

Chocado, feliz, surpreso e orgulhoso

“Estou honrado em ser a primeira pessoa da diáspora africana (EUA) a ser nomeada Presidente do Júri do festival de cinema Cannes”, disse o célebre cineasta americano Spike Lee em longo comunicado à imprensa, na qual referiu-se à sua residência como “República Popular do Brooklyn, Nova York”.

E Lee completou, destacando a variedade de sensações que sentiu ao receber a notícia: “Em minha vida, as maiores bênçãos chegaram de forma inesperada, aconteceram do nada. Quando recebi a ligação de que me foi oferecida a oportunidade de ser presidente do júri de Cannes em 2020, fiquei chocado, feliz, surpreso e orgulhoso, tudo ao mesmo tempo. Para mim, o Festival de Cannes (além de ser o festival de cinema mais importante do mundo – sem desrespeito a ninguém) teve um grande impacto na minha carreira no cinema. Eu poderia dizer facilmente que Cannes mudou a trajetória de quem eu me tornei no cinema mundial”.

A divulgação do festival destacou sua personalidade extravagante nas redes sociais, que “certamente agitará as coisas. Que tipo de presidente ele será? Descubra em Cannes!”. Veja abaixo:

Como salientou a direção do festival, em nota: “o olhar de Spike Lee é mais do que nunca precioso”. Em 2018, ele foi aclamado e premiado pelo júri do evento pelo filme Infiltrados na Klan, suspense que conta a história real de um afro-americano que conseguiu entrar na organização terrorista e de supremacia branca Ku Klux Klan.

Foto: Bruce Glikas / FilmMagic / Creative-Commons

Fontes: UOL, RFI, Época Negócios

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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