SP incentiva empresas a reduzir emissões de carbono e planeja criar fundo climático

São Paulo incentiva empresas reduzir emissões

 

 

Especialistas em técnicas para redução de dependência química, como o tabagismo, dizem que é mais fácil parar de fumar quando a pessoa faz esse esforço publicamente. Assumir um compromisso diante de sua comunidade, gravar a promessa em vídeo ou escrever a resolução numa carta dificultam uma recaída, tornando-a mais constrangedora.

Para que a economia reduza sua dependência química dos combustíveis fósseis, alguns desafios e soluções são quase dessa mesma natureza. Assim, o esforço para que empresas influentes e setores econômicos inteiros assumam em público que poluirão menos tende a produzir resultados concretos mesmo quando os compromissos são voluntários.

Há uma lógica parecida na criação do Protocolo Climático do Governo do Estado de São Paulo, que estimula empresas a reduzir emissões de gases do efeito estufa e adotar ações de adaptação às mudanças climáticas. “É importante olhar as iniciativas que as empresas já tem, analisar os seus dados e ver formas de incentivá-las a fazer mais do que a lei já exige”, explica Patrícia Iglesias, secretária de Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

patricia-iglesias-200Com essa proposta, Patrícia já conseguiu atrair para o protocolo alguns peso-pesados como Natura, Dow, Copagaz, Raízen e Grupo Pão de Açúcar, além de representantes setoriais como a Associação Paulista de Supermercados (Apas) e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única). Esses casos são considerados pré-adesão ao protocolo, pois a assinatura do compromisso será feita no dia 8 de dezembro, na embaixada brasileira em Paris, durante a COP21.

A idéia é reunir casos concretos de redução de emissões, eficiência energética, eficiência hídrica e responsabilidade socioambiental. “As empresas precisam mostrar evolução no que já estão fazendo, precisam competir com elas mesmas”, diz a secretária Patrícia Iglecias. A seguir, os principais trechos de sua entrevista ao blog.

Como ocorre com frequência durante as convenções globais do clima, empresas, cidades e regiões apresentam projetos de contribuição para uma economia de baixo carbono. Como distinguir entre os planos realmente ousados e as ações de relações públicas?
O greenwashing é inaceitável. Nosso foco é nas ações ousadas, que busquem e tragam resultados. Com instrumentos para ação efetiva no período pós-assinatura. Os cases serão avaliados e os relatos nos auxiliarão a formular políticas públicas de apoio às empresas e municípios. Haverá um protocolo com a Fapesp para produção de pesquisa cientifica aplicada. E parceria com as secretarias de Energia e da Fazenda para criação de um fundo clima para o estado de São Paulo. Também estamos trabalhando na integração de ações consumo e compras sustentáveis.

De onde surgiu a ideia desse protocolo?
A necessidade de mecanismos como esses fica muito clara nas discussões sobre o papel dos governos subnacionais em criação de soluções, políticas públicas, ações efetivas em mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Discutimos isso em reuniões em Lyon e Nova York. São Paulo é pioneiro na criação da primeira lei estadual de mudanças climáticas, de 2009, e tem a responsabilidade de implantar ações que possam ser indutoras de ações de outros estados.

Quem pode aderir a esse protocolo?
Empresas, organizações, setores econômicos, municípios. Nossa ideia é permitir a adesão até mesmo de quem não tenha claramente seus dados, pois a partir da assinatura, terão um prazo para entregar seu plano de redução e terão auxílio técnico para planejar suas metas. Os compromissos com o protocolo não substituem o acompanhamento que a Cetesb faz do inventário de emissões dessas empresas e setores. Empresas devem ser estimuladas a fazer além do que é obrigatório. A empresa deve se perguntar: O que posso fazer além do que a lei exige?

*Este texto foi originalmente publicado no blog Clima 21 do canal de Sustentabilidade do Estado Online, no dia 20/11/2015

Foto: rvcroffi/creative commons/flickr

Caco de Paula é jornalista, criador do Planeta Sustentável e coautor do gibi Heróis do Clima. Foi diretor da edição brasileira da revista National Geographic e presidente do Global Compact no Brasil. Organizou e dirige a agência AUÁ Brasil, dedicada a reunir talentos, prestar consultoria e implantar projetos de comunicação e sustentabilidade. Escreve o blog CLIMA21 no site do jornal O Estado de São Paulo

Caco de Paula, Blog Clima21 - Estadão Online

Caco de Paula é jornalista, criador do Planeta Sustentável e coautor do gibi Heróis do Clima. Foi diretor da edição brasileira da revista National Geographic e presidente do Global Compact no Brasil. Organizou e dirige a agência AUÁ Brasil, dedicada a reunir talentos, prestar consultoria e implantar projetos de comunicação e sustentabilidade. Escreve o blog CLIMA21 no site do jornal O Estado de São Paulo

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