“Somos a última geração que pode fazer a diferença entre a vida e a morte do planeta”, diz Jane Fonda

"Somos a última geração que pode fazer a diferença entre a vida e a morte do planeta", diz Jane Fonda

Desde o último dia 11/10, a atriz e ativista ambiental Jane Fonda, de 82 anos, já foi presa quatro vezes pela polícia americana.

Jane se juntou ao movimento Fire Drill Fridays, e inspirada pelo movimento #FridaysForFuture, criado pela adolescente sueca Greta Thunberg, ela decidiu se mudar, temporariamente para a capital dos Estados Unidos, Washington D.C., e protestar semanalmente, pelos próximos quatro meses, contra a inação de seu governo para combater a crise climática (leia mais aqui).

“Vamos nos envolver em desobediência civil e seremos presos toda sexta-feira”, garantiu a atriz, há poucas semanas. E é o que vem acontecendo. Sistematicamente. Mas Jane não se importa. Diz que há décadas cientistas e ativistas alertam sobre os efeitos trágicos do aquecimento global no planeta, mas ninguém ouve.

"Somos a última geração que pode fazer a diferença entre a vida e a morte do planeta", diz Jane Fonda

A atriz e ativista, de 82 anos, sendo presa… mais uma vez!

Ao participar recentemente de um debate, em um programa de televisão da rede ABC, a ativista atacou a indústria dos combustíveis fósseis.

“Protestamos há 40 anos. Escrevemos artigos e damos discursos. Temos divulgado os fatos ao público e aos políticos americanos. Marchamos e nos reunimos pacificamente “, disse. “Mas a indústria dos combustíveis fósseis está, cada vez mais, prejudicando a nós e ao meio ambiente e ao futuro dos jovens”.

Para ela, não há ninguém mais a culpar, exceto esse setor. “Somos a última geração que pode fazer a diferença entre a vida e a morte do planeta”, ressaltou. “É uma crise urgente e temos muito pouco tempo para solucioná-la.”

Nas décadas de 70 e 80, Jane Fonda foi uma crítica contundente das guerras em que os americanos estavam envolvidos. Alinhada com os partidos de esquerda, ela viajou até Hanoi para denunciar os bombardeios dos Estados Unidos no Vietnã.

Saída dos EUA do Acordo de Paris

Esta semana, a Casa Branca anunciou que dará início ao processo formal da retirada dos Estados Unidos do Acordo do Clima de Paris. Ao assumir a presidência, Donald Trump já tinha manifestado sua vontade de deixar de fazer parte do compromisso, assumido por seu antecessor, Barack Obama, junto a outros 195 países membros das Nações Unidas.

Em dezembro de 2015, na capital francesa, líderes mundiais assinaram o mais abrangente e ambicioso tratado internacional sobre o clima, em que se comprometem a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa, e desta maneira, tentar limitar o aumento da temperatura da superfície da Terra em menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais.

Infelizmente, os Estados Unidos, que sob a administração de Obama lideravam a luta contra as mudanças climáticas, agora rumam em direção contrária. Trump tem feito de tudo para derrubar as medidas que visam combater o aumento das emissões de carbono.

A União Europeia e a China divulgaram nota lamentando a decisão americana de abandonar o acordo climático.

Fotos: Victoria Pickering/Creative Commons/Flickr

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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