Solar Impulse se torna primeiro avião solar a cruzar Oceano Atlântico

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Foram quatro dias de um voo histórico: esta manhã, (23/06), o Solar Impulse pousou em Sevilha, na Espanha, depois de atravessar o Oceano Atlântico, vindo de Nova York. Para completar a travessia, o avião suíço não usou nenhuma gota de combustível fóssil, voou somente com a energia do sol. Foi o voo mais longo realizado pela aeronave até agora: 71 horas.

Às 5h38 da manhã, o Solar Impulse foi recebido no céu espanhol pela formação aérea da Patrulha Águila. Esta foi a 15ª etapa da aventura, que começou em março do ano passado, com a tentativa de realizar o primeiro voo solar – limpo e sustentável – ao redor do mundo. As imensas asas da aeronave têm  envergadura de 72 metros (mais largas que um boeing 747) e são completamente cobertas por 17 mil células solares. O avião, que saiu de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, já passou pela Índia, Miamar, China, Japão e Estados Unidos.

Os voos foram realizados pelos dois pilotos e idealizadores da aventura, Bertrand Piccard e André Borschberg. Este último, já tinha feito outra travessia histórica, sobre o Oceano Pacífico, em julho de 2015, quando ele também ficou 4 dias no ar.

Desta vez, Piccard, que esteve pilotando o Solar Impulse sobre o Atlântico, escolheu a rota mais difícil, não a mais fácil, assim como o aviador Charles Lindbergh.

“Atravessar o Atlântico é uma conquista simbólica porque outros meios de transporte na história já tentaram fazer o mesmo: primeiro os navios à vapor, depois aeronaves, balões, aviões e, hoje, um avião solar”, disse Piccard, em entrevista ao The Guardian. “Nosso objetivo não é transformar a aviação, como Lindberght fez, mas inspirar pessoas a usar tecnologias renováveis e mostrar que elas podem ser usadas todos os dias para se ter uma melhor qualidade de vida”.

Para conseguir ficar no ar por tanto tempo, o Solar Impulse voa numa altitude mais alta durante o dia para poder recarregar ao máximo as baterias. Quando chega a noite, a aeronave plana em uma altitude mais baixa para conservar energia.

A última etapa da viagem será até os Emirados Árabes, onde tudo começou. Quando entrevistei André Borschberg, para o site Planeta Sustentável, em 2014, ele me disse que a rota pelo Hemisfério Norte foi escolhida porque há mais terra versus oceano do que no Hemisfério Sul. “O norte é mais seguro”, explicou. “E se você pensar sobre o objetivo do projeto, que é comunicar e mostrar o que pode ser feito em termos de tecnologias limpas, o melhor será se o Solar Impulse voar sobre a maior quantidade de países para que possamos passar nossa mensagem. Nosso sonho é trazer o avião no futuro, um ano após ter voado ao redor do planeta”.

Bem, estamos aqui na torcida!

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Foto: divulgação Solar Impulse

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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