Sobe para 249 o número de localidades atingidas pelo óleo: Lençóis Maranhenses está entre elas

Sobe para 233 o número de localidades atingidas pelo óleo: Lençóis Maranhenses está entre elas

*Atualizado em 27/10/2019

A imagem é desoladora. As areias sempre brancas e limpíssimas do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses sujas por grandes manchas de óleo, a mesma substância que vem poluindo, desde o começo de setembro, grande parte das praias do litoral nordestino.

Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), a praia de Travosa, em Santo Amaro do Maranhão, região de Lençóis, é o último lugar onde foi feita a retirada do petróleo cru no estado.

Ontem (23/10), moradores, ambientalistas, representantes de entidades locais, da Marinha e da secretaria municipal de Meio Ambiente realizaram um mutirão para recolher o óleo da areia. Ao final do trabalho, foram coletadas 700 quilos de piche.

Sobe para 233 o número de localidades atingidas pelo óleo: Lençóis Maranhenses está entre elas

As manchas aparecem na praia de Travosa em setembro

Números do crime ambiental

O último levantamento divulgado pelo Ibama, em 27/10, indica que já são 249 localidades afetadas pelas manchas de óleo, em 92 municípios, dos nove estados do Nordeste, e 14 unidades de conservação.

Ainda de acordo com o órgão, 18 tartarugas marinhas e cinco aves morreram por causa do petróleo.

Sobe para 233 o número de localidades atingidas pelo óleo: Lençóis Maranhenses está entre elas

Mapa com as localidades afetadas pelo óleo

Áreas de proteção e os corais afetados até agora pelo óleo

  1. Área de Proteção Ambiental Delta do Parnaíba (PI)
  2. Área de Proteção Ambiental Piaçabuçu (AL)
  3. Área de Proteção Ambiental Barra do Rio Mamanguape (PB)
  4. Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais (PE)
  5. Parque Nacional Lençóis Maranhenses (MA)
  6. Parque Nacional Jericoacoara (CE)
  7. Reserva Extrativista Acaú-goiana (PB)
  8. Reserva Extrativista Marinha Lagoa do Jequiá (AL)
  9. Reserva Extrativista Delta do Parnaíba (PI)
  10. Reserva Extrativista Cururupu (MA)
  11. Reserva Extrativista Batoque (CE)
  12. Reserva Extrativista Prainha do Canto Verde (CE)
  13. Reserva Biológica Santa Isabel (SE)
  14. Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie)Manguezais da foz do Rio Mamanguape (PB)
  15. Manguezal de Suape (PE)
  16. Corais na praia do Cupe, vizinha a Porto de Galinhas (PE)
  17. Corais e sedimentos marinhos em Pirangi do Sul (RN)
  18. Recifes areníticos na praia de Carneiros, em Tamandaré (PE)

Lençóis Maranhenses: candidato à Patrimônio Mundial Natural

Principal destino turístico do estado do Maranhão e um dos mais visitados do Brasil, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses foi criado em 1981. Localizado entre os municípios de Barreirinhas, Santo Amaro e Primeira Cruz, compreende uma área de 155 mil hectares, dos quais 90 mil são constituídos de dunas livres e lagoas de águas límpidas e cristalinas – ora esverdeadas, ora azuladas.

O parque fica em uma área de transição entre os biomas da Caatinga, Cerrado e Amazônia. É uma unidade de conservação (UC) de proteção integral marinha costeira.

No ano passado, o governo brasileiro encaminhou à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) o dossiê de candidatura de Lençóis Maranhaenses ao título de Patrimônio Mundial Natural. Se aceita a candidatura, o título só deverá ser concedido em 2020.

*Com informações do G1 Maranhão e da Folha de S. Paulo

*Texto alterado para atualizar o número de localidades (praias atingidas)

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Fotos: divulgação Defensores da Casa Comum

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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