Sobe número de mortos nos já considerados piores incêndios florestais da história da Califórnia


Sobe número de mortos nos já considerados piores incêndios florestais da história da Califórnia

*Atualizado em 22/11/2018

Já passam de 80 mortes e mais de 1 mil desaparecidos as vítimas dos incêndios florestais que se espalham pelo estado americano da Califórnia. Até ontem (14/11), foram contabilizados dezesseis focos de fogo e segundo os bombeiros envolvidos no trabalho de combate às chamas, apenas 1/3 do incêndio havia sido controlado.

Na segunda, mostramos aqui, neste outro post, que cerca de 250 mil pessoas tiveram que deixar suas casas no norte, noroeste e ao sul do estado.

A região mais afetada é a capital da Califórnia, Sacramento. O clima extremamente seco e o vento forte foram o estopim para a tragédia.

Camp Fire, como foi chamado o incêndio ao norte, já é considerado o mais devastador da história do estado. Mais de 7.600 casas e construções foram completamente destruídas, sobretudo na pequena cidade de Paradise. Só ali 48 pessoas morreram. Muitas perderam a vida presas em carros, tentando fugir das labaredas ao longo das estradas.

Destruição total provocada pelo fogo 

Incêndios florestais na Califórnia não são novidade. Sempre aconteceram porque o clima e a geografia da região são propícios a eles. Todavia, nas últimas décadas, a chamada “estação dos incêndios” está mais intensa e longa. Ela tem durado, em média, 105 dias mais do que nos anos 70.

Segundo um levantamento realizado com dados do Federal Emergency Management Agency (FEMA), agência federal que administra desastres naturais nos Estados Unidos, a extensão dos incêndios mais que triplicou entre 1970 e 2010.

Só em Mendocino, em julho último, o fogo destruiu uma área dez vezes maior do que a cidade de São Francisco.

E os números não param por aí:

– no ano passado, os incêndios custaram cerca de US$3 bilhões ao Serviço Florestal dos Estados Unidos e as perdas financeiras relacionadas a eles giraram entre US$ 63,5 bilhões a US$ 285 bilhões;
– o número de casas ameaçadas pelo fogo entre 1990 e 2010 pulou de 30,8 milhões para 43,4 milhões;
– na Califórnia, mais de 11,2 milhões de pessoas vivem em áreas de riscos a incêndios;
– desde a década de 70, a temperatura média no estado, na primavera e no verão, subiu 1oC;
– 12 dos 15 piores incêndios florestais da Califórnia ocorreram depois do ano 2000.

E as previsões de especialistas revelam que, até 2050, a duração da estação dos incêndios deve ganhar 24 dias a mais.

Cientistas do clima não têm medo em afirmar que a tragédia que só se agrava na Califórnia, ano a ano, é mais um dos efeitos do aquecimento global, que torna os extremos climáticos (secas, incêndios, furacões e tempestades) mais fortes e frequentes.

 

*Com informações da CNN USA, Business Insider e vídeo do jornal The Guardian

Foto: USDA Forest Service (abertura) e Governor’s Office of Emergency Services/Fotos Públicas

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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