Só em 2019, mais de 100 focas nasceram no Tâmisa, rio inglês considerado morto há 60 anos

Só em 2019, mais de 100  focas nasceram no Tâmisa, rio inglês considerado morto há 60 anos

A incrível história da recuperação do Tâmisa foi uma das primeiras matérias que escrevi logo após o lançamento do Conexão Planeta.

Nela eu contava como o rio, que já tinha sido apelidado de “Grande Fedor” – a poluição era tanta e seu cheiro tão insuportável, que sessões no Parlamento eram canceladas tal o mal odor da água, que passa em frente à casa dos parlamentares, em Londres -, conseguiu ser limpo.

Graças à sua revitalização, em 2015, um monitoramento realizado pela Zoological Society of London (ZSL) revelava que diversas espécies marinhas voltaram a habitá-lo. Entre as mais observadas estavam focas, golfinhos, toninhas e até, pequenas baleias. No total, foram avistados 2.700 indivíduos. Dois anos mais tarde, o número já chegava a 3.500.

Entretanto, o que mais surpreende no censo recém-divulgado, com dados de 2019, é a quantidade de filhotes de focas encontrados no Tâmisa. Nada menos do 138 deles nasceram ali, apenas este ano.  

“Ficamos emocionados em contar 138 filhotes nascidos em uma única temporada. As focas não seriam capazes de se reproduzir aqui sem uma fonte confiável de alimentos, portanto isso demonstra que o ecossistema do Tâmisa está prosperando e mostra o quão longe chegamos desde que o rio foi declarado morto biologicamente na década de 1950”, diz Thea Cox, bióloga chefe da ZSL.

Naquela época, o Tâmisa não possuia mais oxigenação em suas águas e com isso, não havia possibilidade de sobrevivência de vida marinha alguma nele. Para reverter a situação, um eficiente sistema de captação de esgoto foi implantado e leis rígidas adotadas para evitar sua contaminação. Diversas organizações ambientais também participam ativamente para que o estuário se mantivesse – e continue, até hoje -, saudável.

Para realizar o censo deste ano, os cientistas analisaram centenas de fotos tiradas por drones, ao longo do período de reprodução das focas. De acordo com os pesquisadores, este método é muito mais preciso do que a contagem feita in loco, por pessoas, pois não perturba os animais com a presença de humanos.

Quase 140 filhotes nasceram no rio inglês, somente em 2019

No Tâmisa são encontradas duas espécies de focas, a comum (Phoca vitulina) e a cinza (Halichoerus grypus), entretanto, apenas a primeira se reproduz no rio inglês.

“Filhotes de focas comum podem nadar poucas horas após o nascimento, o que significa que estão bem adaptados para crescer em estuários de marés, como o Tâmisa. Já os cinzentos demoram mais para se sentirem à vontade na água, por isso procriam em outros lugares e depois vêm aqui para se alimentar”, explica Anna Cucknell, chefe de projetos de conservação da Zoological Society of London.

Ainda segundo a especialista, o estuário britânico é um berçário para outros diversos animais marinhos, entre eles, duas espécies de tubarão, cavalos-marinhos e enguias.

Fonte: Zoological Society of London

Fotos: divulgação ZSL/© Graham Mee SE RSPB

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta