Sexo seguro e vegano: a camisinha sem componentes de origem animal

Sexo seguro e vegano: a camisinha feita com matéria-prima sem origem animal

Cada vez mais o veganismo conquista adeptos no mundo. Mais e mais pessoas aderem a um estilo de vida sustentável, ao mudar suas dietas alimentares e deixando de lado ou reduzindo o consumo de proteínas de origem animal, sobretudo, a carne vermelha. Seja por serem contra o sofrimento dos animais ou porque querem evitar os malefícios provocados à saúde devido à ingestão excessiva desse tipo de alimentos.

Mas a mudança de comportamento não ocorre apenas na alimentação. Muitos veganos deixam de usar também outros produtos, que levem em sua composição, ingredientes de origem animal, como por exemplo, roupas e acessórios feitos de couro.

Pensando nesse público, uma empresa alemã* lançou uma camisinha vegana. Apesar de a matéria-prima principal dos preservativos ser natural, o látex, seiva extraída de árvores (seringueiras), a grande maioria desses produtos contém também caseína, uma proteína animal, encontrada no leite de mamíferos, usada para deixar o látex mais “macio”.  

Sexo seguro e vegano: a camisinha feita com matéria-prima sem origem animal

Design colorido e irreverente

A Einhorn nasceu em 2015, em Berlim, através de um financiamento coletivo que arrecadou R$ 460 mil. E o negócio deu certo. Desde o lançamento da marca, a receita anual da empresa gira em torno de R$ 23 milhões.

Foi durante a campanha de crowdfunding que os sócios Philip Siefer e Waldemar Zeiler perceberam que havia uma grande oportunidade no segmento de produtos veganos. Receberam muitos questionamentos se a Einhorn tinha ou não proteína animal em sua composição. Decidiram então apostar nessa demanda.

A Einhorn trocou a caseína por um lubrificante natural feito de plantas, além de adquirir látex extraído do modo mais ecológico possível.

E não é só. Os alemães queriam ainda ter um impacto social com seu empreendimento. “Somos inspirados por produtos justos, produzidos em condições justas, para as pessoas e o meio ambiente. Investimos 50% de nossos lucros em projetos sociais, como educação sexual para jovens ou simplesmente o pagamento justo dos seringueiros”, revelam os sócios.

Zeiler e Siefer também optaram por embalagens bem diferentes daquelas usadas por preservativos tradicionais. O design da Einhorn é colorido e irreverente.

“Preservativos protegem contra doenças sexuais* e são um método contraceptivo seguro… Mas muitas pessoas ficam envergonhadas ao comprá-los. Tem gente que, por exemplo, compra um saco de batatas fritas para camuflar a caixa da camisinha. Queremos mudar isso com o Einhorn – nossas embalagens são projetadas por designers de destaque. Em vez de temer a caixa registradora, estamos ansiosos para levar esses bebês para casa”, brincam os empresários.

Sexo seguro e vegano: a camisinha feita com matéria-prima sem origem animal

Os sócios criadores dos preservativos veganos

E por que o nome Einhorn? “Einhorn significa unicórnio em alemão. É a mais nobre de todas as criaturas mitológicas e representa, sem exceção, tudo o que é bom. Ao escolher os preservativos Einhorn, você defende exatamente isso: bom sexo, boa consciência e bom gosto”, dizem Siefer e Zeiler.

Sexo seguro e vegano: a camisinha feita com matéria-prima sem origem animal

*Já existem outras marcas de camisinhas veganas no mundo, inclusive, anteriores à Einhorn, como a americana Glyde, mas achamos a história da alemã divertida e inovadora!

*Vale lembrar que o uso do preservativo continua sendo importantíssimo. Mostramos aqui, em reportagem de 2018, que aumentou o número de casos de Aids entre jovens de 15 a 24 anos. Diferentemente da geração dos anos 80, que viu seus ídolos morrerem com a doença, os jovens de hoje não enxergam a infecção por HIV como um abismo para a morte e por isso, se arriscam mais.

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Fotos: divulgação Einhorn

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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