Seu jardim é seguro para os pequenos?

criança brincando no jardim

Segurança, saúde, educação e felicidade estão no topo da lista de desejos – e preocupações – que pais e mães têm em relação a seus filhos. E o que isso tem a ver com o jardim ou quintal da sua casa? Tudo! Ao conceber ou adaptar um espaço ao ar livre para as crianças, essas prioridades devem seguir esta exata mesma ordem.

Na língua inglesa, existe uma expresão muito utilizada para definir um ambiente apropriado para crianças: child appropriated. Mais do que uma expressão, ela é um conceito, em que os objetos e equipamentos utilizados pelos menores devem ter qualidades preventivas de acidentes, o que se traduz pelos termos child safety (seguro para criancas) e child proof (à prova de crianças). Estas exigências são seguidas por fabricantes e pela sociedade, que obedecem a rigorosas normas de segurança.

Então, se você tem filhos ou visitas frequentes de crianças (netos, filhos de amigos e vizinhos), escrevo aqui alguns dos aspectos que devem ser considerados ao projetar e plantar seu jardim.

Crianças precisam de espaço para correr e explorar. Gostam de brincar e são muito criativas, podendo transformar um pedaço de graveto num personagem, pedrinhas em casinhas e sementes, folhas e flores em comidinhas, por isso o cuidado na escolha das plantas ao redor delas precisa ser criterioso. Existem plantas tóxicas que podem causar lesões na pele, alergias, asfixia e inclusive, a morte. Outras ainda, apesar de inofensivas quanto à sua toxicidade, possuem características que também podem oferecer risco aos pequenos.

O ambiente  infantil deve ser adaptado para prevenir acidentes, intoxicações e ainda, ser resistente para evitar consertos constantes. Ter estes conceitos em mente modifica significativamente o planejamento, a escolha de materiais e plantas, enfim, o uso do espaço.

Para evitar acidentes, como quedas e trombadas entre crianças, muito comuns nas correrias infantis, recomendo evitar pisos escorregadios, declives acentuados e acessos estreitos demais. O ideal é que um carrinho de bebê possa passar livremente pelos acessos, sem que plantas estejam estreitando o caminho, e que as rampas mais longas sejam  divididas em partes para evitar arremessos de alta velocidade com bicicletas, skates s e patins. Para isso, dê preferência à declives com rampas serpenteadas, sempre protegidas em suas bordas por grades ou plantas estruturadas e resistentes à podas, para que sejam moldadas conforme seu crescimento, oferecendo amortecimento em caso de quedas.

Boas opções para dar este efeito “amortecedor” são buchinhos, pingo de ouro, ixora, falsa murta, pitospóro, ligustro e dentre as fruteiras, uma que resiste bem à podas e pode ser moldada ao redor de uma rampa é a pitangueira .

A escolha do piso determinará a forma de uso, manutenção e limpeza do espaço. Quanto mais liso e uniforme, mais apropriado para bicicletas e carrinhos, todavia, com chuva, pode oferecer desvantagens quanto à poças d’água e escorregões.

O uso de cascalho solto, o pedrisco, é controverso, apesar de ser bastante econômico e não provocar a impermeabilização do solo, aumenta a drenagem, reduzindo o impacto das passadas em locais de caminhada e oferecendo menor impacto nas quedas, diminuindo ainda risco de fraturas. Entretanto, ele não é bom para o acesso de cadeirantes e pode machucar muito a pele, numa simples queda.

Mas não dá para esquecer que pedras sempre são adotadas como objeto lúdico pelas crianças. Podem porém, oferecer risco quando arremessadas. Vale aí a conversa entre pais e filhos e o alerta para que a brincadeira seja cuidadosa! Uma alternativa à pedra é o uso de deques, bloquetes e casca de pinheiros. Em geral, esses materiais de revestimento são usados em pisos de playground e parquinhos porque, por si só, evitam corridas e encontrões e amortecem as eventuais quedas dos brinquedos, como balanços e escorregadores.

Crianças gostam de brincar e adoram o mundo do faz de conta. Em parques, jardins e quintais, estão sempre a coletar sementes, flores e folhas para preparar sua poções mágicas. Por esta razão, é muito importante saber identificar as plantas tóxicas e evitar o contato com elas (mais abaixo você encontra uma lista delas).

Todavia, vale ainda uma última dica. Antes de dizer “Não, não toque nesta planta!”, o ideal é bater um papo com seu filho ou filha e explicar porque motivo ele/ela não devem brincar com aquela folhagem ou flor. Não devemos subestimar a inteligência e poder de compreensão das crianças. A conversa pode ser muito mais produtiva do que o simples “não“.

Nada mais saudável do que ter crianças explorando o jardim e se divertindo em meio à natureza. É só ficar atento às plantas abaixo:

Sementes letais
contas de Santa Bárbara
mamona
chapéu de Napoleão
pinhão de purga

Seiva corrosiva
Euphorbiasceas
coroa de Cristo
bico de papagaio
araliaceas
copo de leite
costela de Adão
caladium
dedo do diabo

Flores irritantes
espirradeira
araliaceas
copo de leite
euforbiaceas
bico de papagaio
grama dos pampas
aroeira brava

Flores alucinógenas
saia branca

Folhas tóxicas
espirradeira
comigo ninguém pode
dedo do diabo
costela de Adão
jibóias
araliaceas em geral
alamanda

Folhas pontiagudas ou com  espinhos
coroa de cristo
agave
babosa
cactos

Folhas cortantes
barba de bode

Ramos ou troncos com espinhos
roseiras
laranjeiras (que possuem espinhos imensos )
primavera alamanda (sementes)

Foto: domínio público/pixabay

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

Liliana Allodi

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

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