Seu Carnaval precisa de glitter e purpurina? Os rios e oceanos, não!


Eles são sinônimos de festa, alegria e de… Carnaval. Para alguns foliões e folionas, impossível fazer uma maquiagem bacana pra compor a fantasia e celebrar os dias de alegria, sem glitter e purpurina. Mas o que quase ninguém se dá conta é que esses pequenos artifícios que dão um super efeito na pele são feitos de micropartículas de plástico e metal.

Não se trata de demonizar os foliões, mas veja como são produzidos e quanto impacto essas micropartículas podem causar.

O glitter é feito não só de pedaços muito pequeninos de plástico, como também de micro folhas de alumínio, entre outros materiais tóxicos.  A purpurina metálica – a mais usada com esse fim – é um pó corante fino, geralmente impresso em dourado, prateado e bronze. Existe uma versão natural da purpurina, extraída de raízes, mas só em tom vermelho, por isso, desconhecida da maioria dos foliões.

Assim como os microplásticos que compõem os esfoliantes corporais (feitos à base de polietileno ou prolipropileno e vendidos até por marcas que se dizem ecológicas e sustentáveis!!), as micropartículas do gliter e da purpurina não se decompõem e, quando saem da pele no banho, vão parar nos mares e oceanos, poluindo a água e contribuindo para a morte de animais – peixes, tartarugas, golfinhos etc – que os confundem com comida (leia Lixo Plástico ameaça 99% das aves marinhas). Além disso, seu acúmulo prejudica a fotossíntese de algas.

Essas partículas de plástico – o tipo mais nocivo já que pode ser ingerido por qualquer animal, do mais diminuto ao maior – se somam a outras, utilizadas em diversos produtos e a outros tipos que se quebram e se esfarelam nas águas, representando cerca de 85% do plástico acumulado na natureza. Só nos oceanos, são cerca de oito milhões de toneladas lançadas a cada ano.

Mas não é só isso: a morte dos peixes e outros bichos impacta a vida de comunidades ribeirinhas que dependem da pesca para sobreviver já que a frequência e a qualidade da pesca é afetada. E ainda tem mais um detalhe: o impacto na saúde dos seres humanos. Caso os animais que ingerem plástico cheguem à mesa como alimento, a ingestão dessas partículas plásticas pode nos causar distúrbios e doenças.

A interdependência é um fato e não há como fugir dela. Tudo que fazemos causa impacto e, se não nos atinge imediatamente, em algum momento isso acabará acontecendo também.

O alerta para o impacto do uso do glitter e da purpurina no Carnaval foi feito recentemente pelo site Pedra Ambiental (de ecologia radical, de acordo com seu slogan) e causou na internet. Sites de estilo, moda e de marcas ecológicas de beleza trataram do assunto oferecendo opções naturais. Algumas nem tanto assim.

Em seu blog, a marca inglesa The Body Shop indicou uma solução caseira feita com sal de cozinha e corante alimentício. O jornal online Nexo também falou do assunto e indicou três alternativas, sendo que uma delas – uso de pó para decoração de bolos e outros confeitos – foi retirada da reportagem logo em seguida, pois contém polímeros: não é tóxico para quem ingere, mas polui os rios e os oceanos do mesmo jeito. As outras opções indicadas pelo site são um glitter biodegradável produzido por uma empresa britânica e um brilho feito de mica sintética, a base de minerais naturais, da Lush. Quem quiser saber mais, é só ler a reportagem.

Substituir os brilhos das maquiagens e fantasias de Carnaval pode não ser tão fácil. Mas não dá pra brincar e se divertir sabendo que, depois, sua alegria colocará em risco a vida de outros seres vivos. Animais ou humanos. E a sua também.

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Foto: Paulo Guereta/Flickr

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

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