Segunda maior colônia de pinguins-imperadores do mundo desaparece da Antártica

Segunda maior colônia de pinguins-imperadores do mundo desaparece da Antártica

Até 2015, entre 15 e 24 mil casais de pinguins-imperadores (Aptenodytes forsteri) chegavam na colônia de Halley Bay, no mar de Weddell, na Antártica, para terem seus filhotes. O local era considerado o segundo maior ponto de reprodução da espécie do planeta.

Mas há três anos, eles simplesmente sumiram. De um momento para o outro, não há mais sinal deles.

Segundo os cientistas da British Antarctic Survey, a tragédia pode ter sido provocada por mudanças na camada de gelo da região.

“Os pinguins-imperadores precisam de um gelo marinho estável para se reproduzir. Essa plataforma gelada deve durar de abril, quando eles chegam, até dezembro, quando seus filhotes estão aptos a acompanhá-los”, explicam os pesquisadores.

Pelos últimos 60 anos, as aves encontraram as condições perfeitas em Halley Bay. Mas em 2016, depois de um período de tempestades atípicas, o gelo se quebrou bem antes de outubro, o que significa que os filhotes não teriam tido tempo suficiente para seguir seus pais.

Através de imagens de satélite, os cientistas britânicos perceberam que nos anos seguintes, 2017 e 2018, a colônia permaneceu vazia

“Temos acompanhado a população desta e de outras colônias na região, na última década, usando imagens de satélite de alta resolução. Estas imagens mostraram claramente a falha de reprodução catastrófica neste local nos últimos três anos”, diz Peter Fretwell, principal autor do estudo. “Nossa análise especializada de imagens pode detectar indivíduos e amontoados de pinguins, para que possamos estimar a população com base na densidade conhecida dos grupos, e fornecer uma estimativa confiável do tamanho da colônia”.

Ainda segundo os cientistas, muitas aves (pinguins adultos) migraram para uma colônia próxima, Dawson Lambton.

“É impossível dizer se as alterações nas condições do gelo marinho na Baía de Halley estão especificamente relacionadas às mudanças climáticas, mas um fracasso tão completo na reprodução não tem precedentes neste local”, ressalta Phil Trathan, biólogo chefe do British Antarctic Survey.

“Mesmo levando em conta os níveis de incerteza ecológica, os modelos publicados sugerem que os números dos pinguins-imperadores devem cair drasticamente, perdendo de 50 a 70% de sua população antes do final deste século, com a mudança das condições do gelo como resultado do aquecimento global”, alerta.

Dentre todas as espécies de pinguins, o imperador é o maior deles. Pode pesar até 40 kg e viver até 20 anos. Sua mais marcante características são as orelhas e o peito amarelados.

Um casal de pinguins-imperadores com seu filhote

O mundo dos pinguins*

Pinguins são encontrados desde a congelante Antártida, no polo sul, até as praias ensolaradas das Ilhas Galápagos, no Equador. Eles são desajeitados em terra e parecem que vão cair a qualquer momento quando estão andando.

Mas é só entrar na água que as aves se transformam em verdadeiros torpedos. Com o bater das asas, como se estivessem voando de baixo d’água, se deslocam rapidamente e conseguem capturar peixes com extrema velocidade.

A plumagem, que parece com um traje para uma festa de gala, tem uma função crucial: ajuda na camuflagem. O preto das costas se confunde com o fundo oceânico escuro quando o pinguim é avistado de cima.

Já o branco da barriga se mescla com o brilho da superfície da água quando a ave é avistada de baixo. Assim os pinguins se escondem de predadores e se aproximam de presas com maior facilidade.

Infelizmente, de acordo com a ONG BirdLife International, 15 das 18 espécies de pinguins estão ameaçadas ou quase ameaçadas de extinção. Os principais problemas vêm de atividades humanas. No mar eles se afogam ao serem capturados por redes de pesca ou sofrem com derramamento de óleo. Em terra, sofrem com espécies invasoras que caçam adultos e filhotes e perdem locais de nidificação devido a degradação de seu habitat e às mudanças climáticas.

E não é só isso, a pesca predatória reduz o estoque de peixes e fica cada vez mais difícil para as aves conseguirem alimento. Nada mais justo do que um dia para lembrar da importância dessas simpáticas aves para o planeta.

*Parte do texto de Fábio Paschoal, publicado em 25/04/2017, no Dia do Pinguim

O artigo, em inglês, “Emperors on thin ice: three years of breeding failure at Halley Bay” pode ser lido na íntegra aqui.

Leia também:
Derretimento na Antártica triplicou nos últimos cinco anos
Colônia gigantesca com 1,5 milhão de pinguins é descoberta na Antártica
Pinguins invadem principais capitais do mundo em campanha pela proteção da Antártica
Happy Feet vai dançar

Fotos: Krishna/Creative Commons (abertura) e divulgação British Antarctic Survey/Richard Burt

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta