Sapo amazônico pode ajudar na luta contra as superbactérias

Sapo amazônico pode ajudar na luta contra as superbactérias

Conhecida como rã-kambo, rã-cambô ou sapo-verde, a espécie Phyllomedusa bicolor é uma perereca encontrada no topo das árvores das florestas amazônicas, sobretudo, no Brasil, Colômbia e Peru e em partes da Venezuela, Bolívia e Guianas.

Seu nome vem do veneno que possui, o kambo, muito utilizado em rituais espirituais e de cura pelos povos indígenas. Nos anos 2000, o poder da substância secretada pelo sapo amazônico ficou conhecido no mundo todo e participantes de cultos alternativos utilizavam o kambo em experimentos.

Mais recentemente, entretanto, o veneno deste anfíbio está sendo estudado por cientistas internacionais nas pesquisas para combater as chamadas “superbactérias”.

Ao longo das últimas décadas, a ingestão indiscriminada de antibióticos pela população mundial e também, o uso desses medicamentos na lavoura e na criação de animais, fez com que as bactérias fossem se tornando imunes à ação dos antibióticos.

Especialistas da área médica alertam que as “superbactérias” serão um dos principais problemas a serem enfrentados neste século, já que cada vez mais, elas estão resistentes a tratamentos, ou seja, imunes a eles.

Segundo o European Center for Environment & Public Health, alguns micro-organismos já são resistentes a todos os antibióticos fabricados pela indústria farmacêutica nos dias atuais. Um estudo realizado por pesquisadores britânicos prevê que até 2050, 10 milhões de pessoas podem morrer por ano, se nada for feito.

O maior banco de DNA das espécies

A boa notícia é que cientistas descobriram que as substâncias produzidas pelo sapo kambo podem auxiliar no desenvolvimento de novos antibióticos.

Análises iniciais revelaram que estes anfíbios tropicais possuem mais de 300 peptídeos antimicrobianos, componentes do sistema imune, presentes na maioria dos seres vivos, que podem apresentar uma atividade antimicrobiana potente contra um amplo espectro de micro-organismos.

E não é só a perereca da Floresta Amazônica que poderá ajudar nas pesquisas médicas. Cientistas estão mapeando o DNA de todas as espécies do planeta. A meta ambiciosa é do projeto Earth BioGenome Project (EBP), lançado no ano passado, e que pretende, analisar geneticamente 1,5 milhão de espécies eucarióticas, aquelas que possuem um único núcleo.

O projeto está sendo conduzido pela Universidade da Califórnia e deve levar dez anos para ser concluído. Juntamente com o Earth Bank of Codes, todo este banco de dados universal das espécies terá seu conteúdo digital disponibilizado gratuitamente (open-source) para empresas interessadas em desenvolver bioquímicos e outros processos e materiais inspirados na natureza.

Um dos benefícios da iniciativa é incentivar a preservação da biodiversidade da Terra e o trabalho de proteção realizado pelos povos indígenas.

Apenas 0,1% das espécies de animais e sementes do planeta já teve seu DNA sequenciado e mesmo assim, somente estas descobertas foram as responsáveis pelo desenvolvimento de bioprodutos que geram retorno de bilhões de dólares para suas empresas.


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Foto: Wyane W G/Creative Commons/Flickr

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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