Sacola plástica é encontrada no abismo mais profundo dos oceanos

Não é mais novidade, mas vale a pena repetir: nem um lugar mais está protegido dos impactos da ação humana. Nem as áreas mais remotas e distantes do planeta. E o pior de tudo, nada está imune ao descarte de plástico.

O estudo A pegada humana no abismo: registros de 30 anos de detritos plásticos em regiões abissais”, divulgado recentemente na publicação Marine Policy, revela que foi achada uma sacola plástica no fundo das Fossas Marianas, o abismo mais profundo dos oceanos.

Localizadas no Oceano Pacífico, a leste das Ilhas Marianas, as fossas ficam entre placas tectônicas e têm uma profundidade de mais de 11 mil metros.

O relatório da ONU Meio Ambiente contou com a participação de pesquisadores do Centro de Detritos das Regiões Abissais, mantido pelo Centro Global de Dados Oceanográficos do Japão, e do Centro de Monitoramento de Conservação Mundial das Nações Unidas, em Cambridge, no Reino Unido.

Os cientistas analisaram dados dos últimos 30 anos – fotos e vídeos de resíduos coletados, desde 1983, por submarinos e veículos remotamente controlados, nas crateras mais profundas dos oceanos.

Nas 5.010 expedições, foram recolhidos 3.425 resíduos fabricados pelo homem. Mais de 33% do lixo era macro-plástico, e destes, 89% itens de uso-único, como garrafas PET e talheres descartáveis.

A sacola plástica encontrada nas Fossas Marianas estava a 10.898 metros de profundidade.

Segundo a ONU Meio Ambiente, é preciso alertar sobre a necessidade de transformar hábitos diários, cujas consequências incluem a poluição da natureza, mesmo quando essa natureza está bem distante das cadeias de produção e consumo de plástico.

Esta não é a primeira vez que noticiamos aqui, no Conexão Planeta, a descoberta de lixo plástico nas crateras oceânicas profundas. Em fevereiro do ano passado, cientistas ficaram chocados com os Índices inacreditáveis de poluição encontrados nas Fossas Marianas.

Testes feitos com anfípodes, um tipo de camarão minúsculo, demonstraram que eles apresentavam contaminação de poluentes orgânicos persistentes (POPs, na sigla em inglês) 50 vezes superior a de caranguejos que habitam um dos rios mais poluídos da China.

Esta espécie da poluente não se dispersa no meio ambiente, resistindo à degradação química, fotolítica e biológica. É altamente tóxica para organismos vivos, incluindo o homem.

Entre os POPs encontrados nos crustáceos das Fossas Marianas está o PCB, um composto químico sintético, muito utilizado pela indústria, que descobriu-se, estar associado com o aparecimento de câncer, além de provocar um impacto ambiental de grandes proporções. Por volta da década de 70, seu uso foi proibido em diversos países do mundo, mas estima-se que antes disso, a produção global deste químico chegou a 1,3 milhão de toneladas.

Mais recentemente, em novembro de 2017, novas pesquisas revelaram que 100% dos organismos vivos coletados nas Fossas Marianas tinham ingerido fibras artificiais e plástico.

Estima-se que haja 300 milhões de toneladas de plástico nos oceanos. São aproximadamente 5 trilhões de pequenas partículas plásticas boiando pela água. Apesar de muitas poderem ser vistas na superfície, após a lenta degradação e fragmentação destes resíduos, eles vão parar no fundo do mar, o que torna ainda mais difícil sua dispersão.

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Foto: Flickr (CC)/Benson Kua

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

2 comentários em “Sacola plástica é encontrada no abismo mais profundo dos oceanos

  • 24 de abril de 2018 em 4:52 PM
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    Acho que chegou a hora de dar um passo à frente; não adianta mais ficar só na denúncia, precisamos agir: criar encontros nacionais e mundiais de entidades, para que cada uma possa visualizar o conjunto e, portanto, a sua força, e para determinar estratégias de ação, como os Millennium Goals da ONU! Talvez criar uma entidade centralizadora internacional, sem a pretensão de se impor às outras, mas de ser, sim, uma facilitadora. É preciso campanhas contínuas e conectadas de educação e conscientização, e também estratégias políticas, que se unam à Greenpeace e a fortaleçam.

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  • 29 de abril de 2018 em 10:07 PM
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    Acorda gente!! Por amor à natureza , a VIDA!!!

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