Roseiras: um desafio recompensador!

roseiras

Originárias de regiões da China e Índia, nos flancos dos Himalayas, as rosas remontam mais de quatro séculos de história. São citadas em toda a literatura, desde os livros sagrados até os contos infantis. É o símbolo do homem no exoterismo, por possuir cinco pétalas ou mais, esconder o coração e possuir perfume, além de fascinar por suas cores e formatos. Se defende  com espinhos e encanta seus admiradores.

É uma planta perene, ou seja, dura para sempre, desde que seja bem cuidada. Roseiras são plantas desafiadoras por sua  imensa variedade, o que as faz serem desejo de colecionadores, pois há muitas diferentes entre si. O fato, entretanto, pode dificultar um pouco a versão de cada cultivo. Algumas descendem de rosas silvestres, outras de rosas arbustivas, que foram sendo cultivadas ao longo da história e aprimoradas entre cruzamentos de espécies, portanto, existem roseiras classificadas como roseiras silvestres, singelas, rosa chá, híbridas de chá, poliantas , grandifloras, híbridas perpétuas, miniaturas e trepadeiras.

Cada qual com características específicas, cultivadas e selecionadas para diferentes regiões e climas, algumas mais resistentes a climas frios e secos e terrenos pedregosos como as silvestres. Já as rosas singelas são mais simples e rústicas, com cinco ou mais pétalas. Podem ser dobradas, mas em geral, mostram os pistilos e atraem muito as abelhas. Possuem maior produção de frutos (rosehips, rosa mosqueta, rosa canina), de onde se extrai a vitamina C e um óleo muito benéfico para a pele, com propriedades antissinais e anti-oxidante) Suas pétalas são usadas também como chá para banhos e essências florais.

roseira singela

Exemplar de rosa singela, mais simples e rústica

As rosas do tipo chá (Rosa chinensis) são arbustos pequenos, com ramos médios e longos. Produzem flores grandes e perfumadas, com mais de sessenta pétalas. Destas roseiras surgiram as variedades híbridas, cultivadas pelos jardins botânicos europeus e aficionados da realeza, no final do século 16.

Trazidas da China por volta de 1529, elas formaram  uma rede de estudiosos e colecionadores por terem um perfume atrativo e flores maiores, desta forma, foram sendo cruzadas e hibridadas até surgirem novos tipos, como é o caso das rosas floribundas. Estas são plantas que reúnem qualidades das roseiras de origem, porém mais adaptadas aos tratos culturais de cada região, visando maior produção de flores, mais variedade de cores e maior duração da florada.

rosa chá

Rosa chá, que produze flores grandes e perfumadas, com mais de sessenta pétalas

Posteriormente, as floribundas foram hibridadas com as rosas híbridas de chá, que proporcionavam ramos mais eretos e flores maiores, para dar origem à grandiflora, espécie de planta mais alta, de 90cm à 180 cm de altura e flores com 7 a 13 cm de diâmetro. Note que, quanto mais a roseira se afastou de sua origem  rústica, entre os diversos cruzamentos, foi se tornando exigente em cuidados e qualidade do solo, portanto cuidar adequadamente de cada tipo requer conhecer a variedade da qual ela teve origem.

Mais recentemente, foi criada a variedade híbrida perpétua, com maior quantidade de pétalas, durabilidade e fragrância, obviamente cultivada para fins comerciais e atualmente sendo a mais comercializada.

Há também diversos tipos de rosas miniaturas, aquelas com alturas entre 10 e 40 cm. Produzem cachos de múltiplas flores, que em geral não passam de 5 cm, e dispõem de grande variedade de cores. Podem ser bastante resistentes ao frio, florescendo, inclusive, durante todo inverno.

Poliantas são roseiras mais baixas e com muita produção de flores. Mais resistentes à mudanças bruscas de temperatura em regiões de altitude e clima seco, formam  excelentes cercas vivas e um  ótimo atrativo para pássaros e insetos no jardim. São mais difíceis de podar quando estão agrupadas lado a lado devido aos espinhos, no entanto, produzem maior número de flores. Com variedades de quase todas as cores, pedem regas frequentes e solo bem adubado.

roseria floribunda

As floribundas reúnem qualidades das roseiras de origem, porém mais adaptadas
aos tratos culturais de cada região

Por último as roseiras trepadeiras, são variedades originadas entre as silvestres e as poliantas. Possuem ramos escadentes e precisam de apoio para se estabelecer. Podem cobrir uma pérgola ou atingir o umbral de uma janela. Produzem flores médias à pequenas, seus ramos são mais verdes e flexíveis, todavia, mais suscetíveis ao ataque de fungos e pulgões por serem mais tenros.

Cuidados com as roseiras

Já dizia o arquiteto e paisagista brasileiro, Burle Marx, que as rosas gostam mesmo é de esterco.

Uma vez que você identificar o porte e o tipo de rosa que voce possui, faça a adubação com esterco e farinha de osso. Dê preferência para fazer isto em dias de luas nova e crescente.

Na hora da poda, mantenha um centímetro de distância de cada gema de brotação que você queira que se desenvolva na próxima estação e evite deixar ramos retos da base até o topo. Procure formar um candelabro de dois ou três ramos principais, adjacentes ao solo, livres  de brotos, nas faces internas para que a luz possa penetrar em toda a planta durante o ano.

O corte deve ser feito com tesoura de poda apropriada para o tamanho do ramo. Ela deve ser limpa e desinfetada com álcool ou solução de cloro  e deve estar bem afiada.

Para a quantidade de água a cada rega, você deve observar o nível de umidade e a retenção do seu terreno. Finque um espeto de madeira, desses de churrasquinho, no solo ao lado do seu canteiro e retire-o antes de regar para ver se fica úmido. Caso o encontre seco aumente o número de regas. A recomendação é molhar a roseira logo cedo ou no final da tarde.

Procure cobrir o canteiro com casca de pinheiro, palha ou folhas secas para preservar a umidade e os microorganismos que povoam solo. Afofe o canteiro a cada três meses, livrando-o de plantas invasoras. Pode-se plantar alho, cebolas, tagetes e manjericão perto das roseiras. Eles vão ajudar a perfumar as flores e atrair insetos benéficos, como as joaninhas, que se alimentam de pulgões.

Depois da poda, sua roseira irá se recompor, os velhos galhos e folhas secas darão lugar a botões tenros e flores perfumadas. Quando estiver florida pulverize as pétalas com água  decantada (sem cloro), com isso, suas rosas vão durar mais. E uma dica: caso você perca uma velha roseira, evite plantar uma nova no mesmo lugar. O solo tem memória e a mesma coisa que ocasionou a morte de sua planta poderá atacar a outra.

Rosas são sucetíveis a ataques de fungos e vírus. Caso apareçam folhas manchadas e galhos secos, não hesite em cortar com a tesoura bem higienizada. Pulverizações com tintura de Neem podem prevenir reinfestações, e quando há queima por causa da geada, somente a tesoura poderá salvar o que restou de sua planta. Uma caixa de papelão pode proteger sua roseira do frio extremo.

Com informações de History of Roses

Fotos: domínio público/pixabay

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

Liliana Allodi

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

Um comentário em “Roseiras: um desafio recompensador!

  • 7 de abril de 2017 em 11:13 AM
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    Lindas e terapêuticas

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