‘Rio de Lama’, documentário em realidade virtual sobre a tragédia do Rio Doce, ganha prêmio em festival internacional da ONU

No mesmo dia (11/7) em que a cidade baiana de Coronel João Sá foi invadida pela lama de rejeitos de minérios da barragem do Quati, que se rompeu na cidade vizinha Pedro Alexandre, em Nova York, na sede da ONU, o curta-metragem em realidade virtual Rio de Lama, dirigido por Tadeu Jungle, da Junglebee, ganhou o prêmio máximo, em sua categoria, no Sustainable Development Goals in Action Film Festival (Global SDG Awards).

Esse festival é coordenado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, responsável pelos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e reúne documentários que revelam como pessoas e organizações ao redor do mundo têm trabalhado incansavelmente em busca de soluções viáveis para as maiores ameaças do planeta e transformando as metas para a sustentabilidade global em realidade.

Mas, se é assim, porque um documentário que apresenta os escombros da vila de Bento Rodrigues e relatos de seus moradores teria ganho o prêmio de melhor filme? Mostrar o resultado da tragédia do Rio Doce provocada pelo rompimento da barragem do Fundão (controlada pela Samarco, joint-venture da Vale com a britânica BHP-Biliton), que arrasou a região de Mariana, atende o objetivo do festival?

A resposta é que Rio de Lama busca a empatia dos telespectadores para que se encontrem soluções para um dos maiores desastres ambientais brasileiros, ocorrido em 2015. Seus idealizadores contam que sua intenção foi sensibilizar a sociedade a respeito da tragédia e fazer um chamamento para que se construa um memorial para a cidade.

A escolha da realidade virtual tem tudo a ver com isso. De acordo com o diretor do curta, o artista multimídia Tadeu Jungle, ela “é a maior máquina de empatia jamais inventada. É uma tecnologia que veio para transformar o mundo”.

Durante a cerimônia, Jungle ressaltou que foi uma honra receber um prêmio dessa magnitude na ONU, mas lamentou que tenha sido com esse tema: “Pena que seja para mostrar uma tragédia ambiental que poderia ter sido evitada, não fosse a ganância e a má gestão empresarial de alguns. Porém, tenho certeza que vai nos ajudar a colocar uma luz mais forte sobre o assunto de barragens de rejeitos no Brasil, além de alargar os horizontes da realidade virtual”.

Parcerias e outras obras

Vale destacar que Rio de Lama foi a primeira parceria entre Tadeu Jungle e o Instituto Alana, que resultou na criação da Junglebee, produtora que integra o AlanaLab (Núcleo de Negócios de Comunicação de Impacto Alana). A intenção é desenvolver projetos para um mundo sustentável e justo.

Jungle dirigiu dois outros filmes com a tecnologia da realidade virtual: Fogo na Floresta, sobre um dia na aldeia dos índios Waurá, no Xingu, em 2017, em parceria com o Instituto Socioambiental e Ocupação Mauá, em 2018, que mostra a excelência em auto-gestão de uma comunidade de sem-teto, de São Paulo.

Agora, assista a Rio de Lama:

Fotos: Divulgação

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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