Rio de Lama: documentário em realidade virtual retrata Mariana e seus sobreviventes

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A maior tragédia ambiental do país aconteceu há 149 dias e seus responsáveis – Samarco, BHP e Vale – ainda não foram punidos. Estão soltos, apesar das mortes, da destruição e também de a lama tóxica continuar vazando da barragem do Fundão. E os moradores de Mariana? Da vila de Bento Rodrigues? Esquecidos. Sem assistência, sem apoio, sem casa e muitas saudades do lugar onde moravam e alguns, ainda, devastados pela dor da ausência de parentes queridos que não voltam mais.

Mas ainda bem que o que não falta é gente com vontade de não deixar essa triste história ser ignorada – como as que compõem os coletivos Meu Rio Doce e Expedição Rio Doce Vivo -, de querer colocá-la em pauta (seja na mídia, nas redes sociais ou nas conversas ao vivo), de não deixar que essa memória se apague. Para que os culpados sejam punidos, sim, mas para que uma tragédia como essa – que matou pessoas, animais, plantas, a água, a natureza e muitos sonhos – não se repita.

rio-de-lama-tadeu-jungle-Tadeu Jungle, diretor e roteirista de cinema, TV e publicidade, é uma dessas pessoas também. Muito bem acompanhado pela Academia de Filmes e por parceiros como os produtores Marcos Nisti e Rawlison Peter Terrabuio, a Maria Farinha Filmes, a BeeNoculus e o movimento Um Minuto de Sirene, lançou hoje o documentário de curta-metragem Rio de Lama. Com um detalhe: ele foi produzido em realidade virtual, ou seja, com o uso de técnicas e equipamentos computacionais que ajudam a ampliar a experiência, recriando a sensação de realidade, ao máximo. Neste caso, emprestou maior dramaticidade e vida à realidade vivida pelos moradores de Bento Rodrigues.

Isso significa que quem tem óculos especiais pode baixar o documentário agora, gratuitamente, na Apple Store e na GooglePlay Store (nas duas lojas, em português e inglês; espalhe para além do Brasil!) e assistir no celular como se estivesse lá, na vila destruída. Mas, quem não tem essa tecnologia à mão – como eu – e não quer esperar para ter os tais óculos, pode assistir agora, também, pelo You Tube, em 360 graus (também disponível em inglês).

O curta retrata os sobreviventes do desastre e a região, com delicadeza e melancolia. Imagino que com os óculos o efeito seja incrível, mas, em 360 graus, é bastante dramático e impactante (como dá pra ver nas imagens que reproduzo aqui nesta página). Distorce a realidade e desenha pinturas fantásticas na tela, revelando a beleza possível das paisagens devastadas pela lama. Cada história, cada riso e cada choro dos moradores da vila de Bento Rodrigues entram na alma, comovem, escorrem, queimam.

No final do filme – que tem 9 minutos e 34 segundos -, o próprio Jungle revela o objetivo do projeto e reivindica a construção de um memorial para Mariana. Muito justo e inspirador.

um-minuto-de-sirene-memeO movimento Um Minuto de Sirene, por sua vez, pede o tombamento das cidades de Paracatu e Bento Rodrigues. “Preservar o que existe ainda hoje, em nome do que existia antes. Para que se preserve a memória – inclusive do desastre – e os direitos dos atingidos”. Assim, no dia 5 de cada mês, às 19h, na Praça da Sé, em Mariana, será tocado Um Minuto de Sirene pelo que havia de vida na região, pelo que ainda resta, pelos moradores, pelo futuro e, de novo, para que a gente nunca se esqueça dessa tragédia. A primeira manifestação será amanhã. Quem quiser acompanhar a ação, pode fazê-lo pela comunidade no Facebook. E. se quiser participar, mesmo de longe, é só parar por um minuto, se imbuir do espírito e colocar intenção. Vibrações positivas nunca são demais.

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Imagens: Reprodução/Divulgação

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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