Rio de Janeiro aparece como a cidade com a pior mobilidade em ranking global

Rio de Janeiro aparece como a cidade com a pior mobilidade do mundo em ranking internacional

O Rio de Janeiro continua lindo, mas seu trânsito… Nem a congestionada São Paulo foi páreo em problemas de mobilidade urbana para a capital carioca. É o que revela um ranking internacional elaborado pela consultoria Expert Market.

O levantamento analisou o transporte público em 74 cidades, com população de mais de 300 mil habitantes, situadas em 16 diferentes países da Europa, América Latina, América do Norte, além de Turquia e Singapura. Vale ressaltar que países com trânsitos caóticos, como Índia, Rússia e China, não fizeram parte do estudo.

A metodologia utilizada avaliou seis critérios:

– a média de tempo da jornada diária;
– a média de tempo de espera pelo ônibus ou trem;
– a média da distância percorrida;
– a porcentagem de usuários do transporte público que precisa fazer mais de um troca de modal em uma única jornada;
– o custo mensal do transporte público comparado à renda salarial mensal e;
– o tempo de horas gastos em congestionamentos

Entre todos os dados acima, os que tiveram maior peso no resultado final do ranking foram o custo e o tempo da jornada.

Baseados nisso, os pesquisadores citam o Rio de Janeiro como a cidade com a pior mobilidade entre as 74 listadas. Em 2o lugar está Bogotá, na Colômbia e em 3o, a capital paulista, São Paulo. Na verdade, quatro cidades brasileiras estão entre as dez que aparecem nos últimos lugares do ranking: Salvador, na 70ª posição e Brasília na 68ª.

Em média, os cariocas levam 90 minutos para chegar de casa ao trabalho ou no caminho inverso. Além disso, o impacto dos preços das tarifas do transporte público sobre seus salários é enorme, representando quase 10% da renda mensal do usuário. Também não ajuda o tempo de espera para a chega do ônibus ou trem: cerca de 19 minutos.

Cariocas que usam transporte público levam, em média, 90 minutos para chegar de casa ao trabalho

Já no topo do ranking, naquelas cidades onde a população está satisfeita com o que o poder público lhe oferece em termos de mobilidade, estão Nice, na França, em 1º lugar, seguida por Cuenca, no Equador e Bilbao, na Espanha.

Ao contrário dos moradores do Rio de Janeiro, os franceses gastam apenas 1,25% de seu salário com ônibus, metrôs e trens, e o caminho ao trabalho leva, aproximadamente, 40 minutos, ou seja, metade do tempo perdido pelos cariocas.

Lógico, não é novidade para ninguém que as cidades europeias se deram conta da necessidade do investimento em transporte público há mais de século. No Brasil, a prioridade foi dada ao carro. Infelizmente. Agora é hora de correr atrás do prejuízo e dos anos em que se foi investido em um meio de transporte poluente, solitário e nada sustentável.

Fotos: Tomaz Silva/ Agência Brasil/Fotos Públicas e Rodrigo Soldon/Creative Commons/Flickr

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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