Retratar o outro é respeitar o momento sem roubar-lhe os segredos da alma

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Os dias vão passando na aldeia e, aos poucos, as imagens vão surgindo como as histórias do Xingu. O cacique Awalukumã começou um belo trabalho com o barro. A grande arte dos Waurá certamente é a cerâmica, uma especialidade devota de centenas de anos.

Envolvido em lixar e molhar o barro já seco, o cacique passou boa parte do dia neste trabalho. As panelas são imensas e pesadas chegando a ter 60 cm de diâmetro e é preciso um grande esforço físico para trabalhar com estas panelas.

Em um dado momento, o cacique largou a panela no chão, afastou-se uns cinco passos, e como um engenheiro que observa ao longe as linhas de sua obra em execução, passou a olhar a peça por vários ângulos.

Um sorriso maroto brotou-lhe na face. Mais um ajuste aqui e pronto?! Não, ainda é preciso que o barro descanse e seque antes da queima, uma arte feita com dedicação e paciência.

renato-soares-ceramica-800O cacique, compenetrado, ao lixar e molhar o barro já seco

renato-soares-panela-barro-800Pesadíssimas, as panelas de cerâmica chegam a ter 60 cm de diâmetro

Renato Soares

Fotógrafo e documentarista especializado no registro de povos indígenas, bem como da arte, cultura e biodiversidade do país. Mineiro, desde 1986 realiza viagens para retratar formas de expressão cultural dos grupos étnicos brasileiros. Colaborador do blog Por Trás das Câmeras, Renato descreve o que chama de "Diário de Campo". É autor ainda do blog Ameríndios do Brasil, mesmo nome do seu projeto de fotografia com os índios

Um comentário em “Retratar o outro é respeitar o momento sem roubar-lhe os segredos da alma

  • 18 de fevereiro de 2016 em 2:00 AM
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    Que lindo Renato! As fotos e a frase título é de uma sensibilidade gigante, poesia!! Parabéns!

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