Reino Unido antecipa para 2035 proibição da venda de veículos a gasolina e a diesel

Reino Unido antecipa para 2035 proibição da venda de veículos a gasolina e a diesel

Em julho de 2017, a então primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May anunciou que, a partir de 2040, só seria permitida a venda de carros novos elétricos – excluindo inclusive os modelos híbridos -, colocando assim um fim à era da combustão interna, a queima dos combustíveis fósseis.

Na época, ambientalistas e cientistas criticaram o prazo. Mais de duas décadas para que os veículos poluentes deixassem de emitir gases tóxicos no ar era realmente muito tempo. Carros a diesel liberam dióxido de nitrogênio (NO2), substância ligada à asma, derrames e ataques cardíacos, além do dióxido de carbono (CO2), gás apontado como sendo um dos principais responsáveis pelo aquecimento global.

Mas quase três anos depois, com um novo primeiro-ministro, Boris Johnson, e o Reino Unido recém-saído da Comunidade Europeia, depois do longo processo do chamado Brexit, foi anunciado ontem (04/02) antecipação na data da mudança sobre a comercialização dos veículos poluentes.

Johnson afirmou que a nova regra entrará em vigor em 2035, cinco anos antes. “Como país, como sociedade, como planeta e como espécie, devemos agir agora para combater a crise climática“, afirmou o primeiro-ministro em evento de lançamento da próxima Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas, COP26, que será realizada em novembro, em Glasgow, na Escócia.

Atualmente há cerca de 10 milhões de veículos a diesel no Reino Unido. Em 2000, eram 3,2 milhões. Os elétricos só correspondem a 1% das vendas nos dias de hoje.

Diversos outros países europeus também já marcaram a data final para a circulação de carros movidos a diesel e petróleo. França definiu o prazo para 2040 e Noruega e Holanda 2025.

Em maio do ano passado, o parlamento britânico se tornou o primeiro do mundo a declarar “emergência ambiental e climática”. Em uma decisão histórica e exemplar para outras nações, foi aprovada uma moção proposta pelo partido trabalhista. “Estamos falando de nada menos do que a destruição irreversível do meio ambiente durante nossa atual existência”, disse Jeremy Corbyn, líder da oposição.

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Foto: jesuscm/creative commons/flickr

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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