Refugiados venezuelanos se unem a projeto ‘Igarapés Limpos’ e recolhem uma tonelada de lixo de rio na Amazônia

Refugiados venezuelanos se unem a projeto Igarapés Limpos e recolhem uma tonelada de lixo de rio na Amazônia

Eles fugiram de seu país para tentar recomeçar a vida no Brasil. Milhares de venezuelanos já cruzaram a fronteira brasileira, para escapar do regime ditatorial de Nicolás Maduro, que deixou sua população no caos e na total pobreza. A maioria desses refugiados está nos estados do norte do país e além de trabalho, buscam se adaptar e se integrar na nova cultura.

Na semana passada, cerca de 60 pessoas, dentre elas, 30 venezuelanos, participaram de um dos mutirões promovidos pelo projeto Igarapés Limpos, no Parque do Mindu, uma área de conservação ambiental, em Manaus.

Durante todo o dia, os voluntários retiraram das margens do rio, que passa pelo parque e faz parte da bacia hidrográfica amazônica, quilos de resíduos plásticos, papel, borracha, metal e até, equipamentos eletrônicos. No total, a ação conseguiu recolher uma tonelada de lixo! Em média, cada pessoa removeu 17kg de dejetos da natureza.

“Sinto que estou mudando alguma coisa, fazendo parte de algo que gera transformação. O que mais gostei é poder fazer algo produtivo pela comunidade e meio ambiente que nos rodeia”, afirmou Cristina, venezuelana de 40 anos, que participou da inciativa, acompanhada de seus dois filhos, de 16 e 22 anos.

Vários refugiados que se uniram ao Igarapés Limpos fazem parte do programa de promotores comunitários da Agência para Refugiados da ONU, no Brasil, a ACNUR.

“É muito importante incentivar ações que promovam a integração dos refugiados com a comunidade local e a preservação ambiental. Os resultados são muito mais significativos quando as pessoas se unem”, destaca Raquel Casellato, Oficial de Proteção do ACNUR.

Refugiados: uma das maiores crises humanitárias de nossa história

A cada minuto, 25 pessoas são deslocadas a força em decorrência de conflitos ou perseguições. Pais, mães e filhos que são obrigados a deixar tudo pra trás e fugir. Tentar recomeçar a vida em outro lugar.

Os números mais recentes da ACNUR indicam que 70,8 milhões de pessoas abandonaram seus lares em 2019. 41,3 milhões conseguiram ficar dentro de seus próprios países, mas outros 25,9 milhões precisaram cruzar fronteiras. São os chamados refugiados. E metade deles são menores de 18 anos.

Mais de 50% dos refugiados globais são cidadãos da Síria, Afeganistão e Sudão do Sul.

Você pode ajudar o trabalho da ACNUR, no Brasil, com uma pequena doação. Com apenas R$ 35, você contribui para a realização do diagnóstico e do tratamento de uma criança refugiada com malária. Acesse já este link e doe!

*Com informações da ACNUR Brasil

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Foto: ACNUR/Cesar Nogueira

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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