Refugiados moram em resort abandonado na Grécia

Refugiados vão morar em resort abandonado na Grécia
Um resort costeiro abandonado na Grécia agora é lar de 320 refugiados da Síria e do Iraque. A solução partiu do médico sírio Nabil-Iosif Morad, que atualmente é prefeito da cidade Andravida-Kylini, no oeste da Grécia. Ele é o primeiro cidadão nascido na Síria e naturalizado grego a ser eleito no país. Sensibilizado, Morad ofereceu o resort depois que o governo grego pediu ajuda a prefeitos locais para encontrar abrigo temporário para os 57.460 refugiados que vivem na Grécia.

O prefeito já havia promovido campanhas de arrecadação de roupas para 10 mil refugiados vivendo em Idomeni, um acampamento não oficial na fronteira, mas queria fazer mais. Estima-se que mais de um milhão de refugiados e imigrantes chegaram à Europa pelo mar no ano passado, segundo a UNHCR, a Agência das Nações Unidas para Refugiados. A Grécia está na chamada rota dos Bálcãs, caminho utilizado por pessoas que fogem da guerra na Síria, Iraque e Afeganistão com destino à Áustria e dali à Alemanha.

Distante em 70 km da terceira maior cidade grega, Patras, o resort de verão LM Village foi desativado por conta da crise financeira na Grécia há pouco mais de cinco anos. No total, são 38 bangalôs que abrigam duas famílias de refugiados cada. As habitações possuem dois andares, tem vista privilegiada para o mar e foram recentemente reformadas para receber essas pessoas, com financiamento do Ministério da Defesa grego. O local também voltou a receber energia elétrica e água potável. Este “santuário” é quase que uma pequena cidade, bem distante dos combates, bombardeios e cercos que seus residentes escaparam há alguns meses.

Refugiados vão morar em resort abandonado na Grécia

A limpeza e manutenção do espaço fica a cargo dos próprios habitantes. Um dos refugiados que mora no resort, Tarek, de 42 anos, tinha um restaurante em Damasco, capital da Síria. Ele fugiu para a Grécia com sua esposa Kinda e seus dois filhos quando a guerra se intensificou. “Neste lugar, esquecemos que somos refugiados. Podemos fingir que estamos de férias”, contou à ONU.

Refugiados vão morar em resort abandonado na Grécia

Nova casa

Os refugiados chegaram de ônibus ao resort. Todas jovens famílias, algumas com avós acompanhando, e muitas eram mulheres viajando sozinhas com seus filhos. Nos últimos dois meses, nasceram dois bebês no hospital local. Antes, eles estavam morando temporariamente em um acampamento informal no porto ateniense de Piraeus.

A questão linguística ainda é um entrave. Os três voluntários gregos que supervisionam o resort não falam árabe e pouquíssimos refugiados falam inglês. Portanto, sempre que o prefeito Nabil-Iosif Morad visita, é bombardeado de perguntas. Recebe desde pedidos de ajuda para ler resultados de exames médicos em grego até reclamações sobre a manutenção do espaço.

Refugiados vão morar em resort abandonado na Grécia

Voluntários da Cruz Vermelha distribuem doações de comida, montam uma biblioteca e organizam uma escola com aulas de inglês e grego no local. A UNHCR está construindo também um espaço para orações e prepara o resort para o Ramadã, mês em que os muçulmanos praticam o seu jejum ritual.

Refugiados vão morar em resort abandonado na Grécia

Oportunidades para os refugiados

O resort funciona como um lar temporário para que seus habitantes esperem por uma oportunidade de serem entrevistados pelo Serviço de Asilo da Grécia, que pode ajudar a encontrar lar permanente para refugiados, ou até mesmo imigrarem para outro país. Atualmente, existe um programa na União Europeia que pretende mover 160 mil refugiados na Grécia e Itália que buscam asilo em outros países-membros do bloco. Advogados voluntários já visitaram o resort para dar conselhos legais gratuitos aos refugiados. Desde março, quando o resort foi transformado em santuário, 15 refugiados já se mudaram para Portugal.

Muitas pessoas esperam se reencontrar com familiares espalhados por outros países na Europa. Um deles é Fares Al-Hamdan, de 47 anos, que não vê seus dois filhos mais velhos há mais de seis meses. Os meninos Baraa, de 18 anos, e Muhammad, de 16 anos, moram em abrigos separados para refugiados na Alemanha. O pai, que era professor, os enviou para a Europa depois que homens armados na Síria ameaçaram prender seu filho mais velho. Baraa já havia ficado preso por três meses em uma prisão do governo, onde foi torturado, apesar de não ter cometido crime algum, alega o pai.

Além de se preocupar com os filhos mais velhos, o sírio cuida de sua mãe idosa, sua esposa Hanadi e seus outros quatro filhos: Rama, Heba, Sedra e Ahmad, de 15, 14, 7 e 5 anos, respectivamente. “Quando tenho que aceitar ajuda dos outros, meu coração fica partido. Quando um homem tem uma família, quer prover para ela com o dinheiro que ganha do seu trabalho. Aqui, eu não posso trabalhar. Aqui, apenas estamos esperando. Esperando pelo último estágio da nossa jornada. Esperando para nos reencontrar com nossos filhos. Esperando para começar uma vida nova. Esperar é a principal razão da nossa existência.”

Refugiados vão morar em resort abandonado na Grécia

Refugiados vão morar em resort abandonado na Grécia

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Fotos: UNHCR/Achilleas Zavallis

Jornalista, Marina escreve sobre meio ambiente para diversas publicações brasileiras desde 2011. Já colaborou para veículos como Superinteressante, Exame, VEJA, VEJA SP, M de Mulher, Casa Claudia, VIP, Cosmopolitan Brasil, Brasil Post, National Geographic Brasil, INFO e Planeta Sustentável.

Marina Maciel

Jornalista, Marina escreve sobre meio ambiente para diversas publicações brasileiras desde 2011. Já colaborou para veículos como Superinteressante, Exame, VEJA, VEJA SP, M de Mulher, Casa Claudia, VIP, Cosmopolitan Brasil, Brasil Post, National Geographic Brasil, INFO e Planeta Sustentável.

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