Redes iluminadas podem impedir morte de tartarugas presas acidentalmente por pescadores

Redes iluminadas podem impedir morte de tartarugas presas acidentalmente por pescadores

Em 2018, uma imagem chocou o mundo: centenas de tartarugas marinhas morreram presas em redes de pesca no México. Eram mais de 300 tartarugas oliva, sem vida, espécie em risco de extinção.

Todos os anos, milhares desses animais morrem da mesma forma: presos,  sufocados ou afogados em redes de pesca. Segundo dados da campanha #SeaChange, da World Animal Protection, de 5 a 30% do declínio populacional de algumas espécies marinhas pode ser atribuído a redes fantasma, outro grande problema. São 640 mil toneladas delas abandonadas por ano nos mares, o correspondente a quase 10% de todo o plástico dos oceanos.

Para reduzir o número de mortes de tartarugas presas em redes, uma nova tecnologia – bastante simples, aliás – está sendo testada. Cientistas têm usado lâmpadas LED. O objetivo é que, tornando as redes mais visíveis, os animais marinhos não fiquem presos nelas.

John Wang, pesquisador da NOAA, fazendo testes com as redes iluminadas

Luz e sinais acústicos

Os primeiros testes com as lâmpadas acopladas às redes tiveram ótimos resultados. No México, houve uma redução de 40% a 60% na pesca acidental de tartarugas verdes. No Peru, a porcentagem foi ainda maior: a queda foi de 65% a 80%.

Uma equipe do Pacific Islands Fisheries Science Center da Agência Nacional de Oceano e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, em parceria com colegas da Universidade de Duke, está aprofundando as pesquisas. Eles já notaram que diferentes tons de luz: ultravioleta, verde e laranja, funcionam da mesma forma, evitando que as tartarugas fiquem presas nas redes.

Os cientistas estão analisando ainda se sons seriam eficientes para afastar os animais marinhos das redes. Eles a equiparam com dispositivos de áudio que emitem um sinal acústico de alerta. “O próximo passo é combinar as duas abordagens existentes – luzes e som – em um experimento de redes de emalhar, para ver se essa combinação pode reduzir ainda mais o problema”, revelou John Wang, pesquisador da NOAA.

Em geral, os barcos pesqueiros jogam as redes no mar, que ficam suspensas, em colunas. Além das tartarugas, outros animais como tubarões, raias, golfinhos, botos e até, baleias, perdem a vida presos nessas armadilhas.

A ameaça às tartarugas marinhas

Tartarugas marinhas são animais que podem viver mais de 100 anos.

No mundo todo, até hoje, são conhecidas sete espécies. Cinco delas são encontradas na costa brasileira: cabeçuda ou mestiça, verde ou aruanã, de pente ou legítima (a mais ameaçada), couro ou gigante (a maior de todas as espécies) e oliva (a menor delas).

Tartaruga sendo libertada de uma rede de pesca

Todas as espécies acima são consideradas em risco de extinção. Algumas em maior ou menor grau do que outras, mas sem exceção, todas correm o risco de desaparecer.

Por isso mesmo, é tão importante o desenvolvimento de novas tecnologias para evitar a morte desnecessária desses cetáceos, já tão ameaçados pela poluição de lixo plástico nos oceanos e os efeitos das mudanças climáticas na temperatura da água do mar.

*Com informações da Agência Nacional de Oceano e Atmosfera (NOAA)  

Leia também:
Tartarugas – uma delas rara e já morta – são resgatadas por ‘Operação Praia Limpa’ em Ilhabela, SP, junto com 170kg de lixo
Ao confundir plástico por água-viva, tartarugas encontram a morte
Tartarugas morrem presas em rede fantasma no litoral de São Paulo
Oceanos mais quentes estão provocando somente nascimento de tartarugas fêmeas
Tartarugas marinhas: sua sobrevivência depende de projetos de preservação
É época de reprodução das tartarugas marinhas: ajude a protegê-las!

Fotos: divulgação NOAA

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta