‘Rede de Costura Solidária SP’ promove campanha de financiamento coletivo

Já faz algum tempo que escrevi aqui sobre a rede Costura Solidária SP, criada em 2015 por meio de um convênio entre a Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários do Brasil (Unisol Brasil) e a Secretaria de Trabalho da Prefeitura de São Paulo, entre os anos de 2015 e 2017. Acompanhei de perto sua formação, consolidação e os desafios cotidianos presentes nessa trajetória.

A rede continua ativa, composta por empreendimentos de tamanhos e perfis variados, localizados em diferentes pontos de São Paulo, que reúnem mulheres da periferia, idosas, mães, pessoas com transtornos psiquiátricos e jovens que encontram na costura oportunidade de reinserção no mercado de trabalho, autonomia e inclusão social pela geração de trabalho e renda.

A Costura Solidária SP faz a conexão entre marcas e clientes com grupos de costura da economia solidária, atendendo demandas específicas e exclusivas em vestuário, acessórios e decoração. Modelagem, pilotagem, confecção upycicling (processo de reutilização criativa de resíduos de diversos materiais e transformação em produtos de maior qualidade e com maior valor ambiental), desenvolvimento de itens personalizados, brindes corporativos e customização de produtos de decoração estão entre os serviços prestados.

“O ponto positivo e a inovação da rede são a diversidade do trabalho de cada empreendimento. Alguns trabalham com a reutilização de materiais como lona, banner, tapeçaria de carro e uniformes usados para o desenvolvimento e a produção de novos produtos. Outros trabalham com costura e técnicas artesanais como bordado à mão, tear manual e pintura. Também temos grupos especializados em confecção de vestuário, uniformes e camisetas, até parcerias na rede de logística e personalização de produtos/serigrafia. Isso possibilita arranjos produtivos e promove uma cadeia de trabalho realmente solidária. Todos esses pontos convergem para uma grande troca de conhecimento e experiências que fortalece a própria rede”, diz Natália Toledo, educadora e designer.

Relembro, aqui, o processo de constituição dessa rede, contado pela própria Natália em um de nossos encontros. Reunida a partir de 2015, por meio do convênio entre a Unisol Brasil e a Prefeitura de São Paulo, a Costura Solidária SP passou por consolidação e amadurecimento do trabalho em grupo, organizando oficinas de multiplicação de conhecimento até o ano de 2016. Em 2017, os dilemas eram a prospecção ativa de clientes e a autogestão, a consolidação da figura jurídica, articulação política e produtiva e construção de uma linha de produtos.

Em 2018, o grupo se consolidou ainda mais, participando de eventos de moda sustentável, ministrando oficinas e participando de debates, sempre tendo como norte os princípios da economia solidária e sua aplicação no dia a dia. A rede tem trabalhado também em parceria com estudantes para a aplicação de conhecimento técnico e contextualização para a Economia Solidária. Organiza também oficinas abertas ao público no campo da costura sustentável e, em 2019, participou da semana Fashion Revolution Brasil.

“O grupo consegue atender pedidos maiores, o que os empreendimentos isolados muitas vezes não davam conta. O objetivo do trabalho em rede é justamente fortalecer o grupo, ter maior capacidade produtiva para atender tanto a demandas do poder público como do mercado consumidor de costura, sempre guiados pelos princípios do comércio justo e da economia solidária.” , diz Natália.

Nesse momento, a Costura Solidária SP está com uma campanha de financiamento coletivo recorrente aberta na plataforma Benfeitoria, buscando fortalecer e aumentar a capacidade produtiva das integrantes, promover o aprendizado coletivo e a troca de saberes. A intenção é manter a rede funcionando, e o modo de participar é com colaborações mensais. Vale muito apoiar!

Fotos: Rede Costura Solidária SP

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

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