Rede Costura Solidária SP amplia parcerias e atuação


Linha e agulha, na rede Costura Solidária SP, são muito mais do que insumos para o trabalho de concretização de peças. São alimento para a construção coletiva de um grupo produtivo cuja história começa em 2015 e vem se constituindo, desde então, segundo os princípios da economia solidária.

Esse alinhavo começou em 2015, com o Projeto Economia Solidária SP como Estratégia de Desenvolvimento. Hoje, o grupo é composto por 74 participantes de 13 empreendimentos, envolvendo indiretamente cerca de 328 pessoas.

Desde o início, o grupo tem realizado produções em parceria, incluindo peças para sinalização e ambientação para o V Congresso Cáritas Brasil, estandartes para o Coletivo Nacional de Mulheres Metalúrgicas da CUT, brindes para a Nossa Cooperarte, participação no 1º Encontro Estadual de Empreendimentos Econômicos Solidários de SP, na Feira Mercado MODE e Feira de Sabores e Saberes.

Em 2015, foram produzidas 2.400 peças, entre bolsas e camisetas, para o N SP 2015  – encontro nacional de estudantes de design que aconteceu em São Paulo naquele ano.

A rede tem trabalhado também em parceria com estudantes para a aplicação de conhecimento técnico e contextualização para a economia solidária. A experiência tem sido positiva para o grupo e também para os estudantes, conferindo ainda mais qualidade técnica a essa produção.

Os itens mais produzidos até o momento são brindes corporativos, uniformes, além do desenvolvimento de produtos específicos realizados para clientes. Aqui, a diversidade inclui reutilização de banners, tapeçaria de carros e de uniformes usados, bordado e tear manual, confecção, serigrafia e outras técnicas.

A rede vem lidando com ajustes produtivos, capacitação técnica, coordenação dos processos, comunicação, recursos para manter as atividades, prospecção de clientes e parceiros, oficinas de multiplicação de conhecimento e formação técnica e o mercado em si. Atendendo demandas de clientes e empresas, a preocupação é sempre envolver e gerar oportunidade a todos os envolvidos.

O objetivo do trabalho é também, claro, proporcionar renda. O retrato da movimentação comercial e financeira em 2016 ainda não está fechado, mas, no ano anterior, os números da Costura Solidária SP incluíram capacidade produtiva de 14.900 peças em rede de brindes, 87 máquinas de costura acionadas e uma renda per capita mensal de R$ 505,67.

A rede de parceiros e apoiadores de 2016 inclui grupos como o Tecido Social, a Rede Design Possível, a Agência Catu e a Maria Tangerina, pequena marca que também produz em parceria com empreendimentos de economia solidária. A Costura Solidária também já começou uma aproximação com o movimento Fashion Revolution e participou do Design Weekend, maior evento de design da América Latina, integrando a roda de conversa “Moda, novo momento e economia solidária”.

Diversidade e desafios

O processo de construção tem sido rico e desafiador, pois discutir, pensar e construir o funcionamento de uma rede com base na autogestão, envolvendo tantos empreendimentos, demanda disponibilidade, dedicação e tempo de todos os envolvidos.

A grande maioria dos integrantes da rede é mulher e há, em média, de cinco a sete pessoas em cada empreendimento. Há também três empreendimentos da Rede de Saúde Mental – Pano e Linhas, Tear e Costura e Reaprendendo a Viver -, que têm um número maior de pessoas por sua própria especificidade: em média de 8 a 15.

O grupo consegue atender pedidos maiores, o que os empreendimentos isolados muitas vezes não davam conta. O objetivo do trabalho em rede é justamente fortalecer o grupo, ter maior capacidade produtiva para atender tanto a demandas do poder público como do mercado consumidor de costura, sempre guiados pelos princípios do comércio justo e da economia solidária.

“O ponto positivo e a inovação da rede são a diversidade do trabalho de cada empreendimento. Alguns trabalham com a reutilização de materiais como lona, banner, tapeçaria de carro e uniformes usados para o desenvolvimento e a produção de novos produtos. Outros trabalham com costura e técnicas artesanais como bordado à mão, tear manual e pintura. Também temos grupos especializados em confecção de vestuário, uniformes e camisetas, até parcerias na rede de logística e personalização de produtos/serigrafia. que possibilitam arranjos produtivos e promovem uma cadeia de trabalho realmente solidária. Todos esses pontos convergem para uma grande troca de conhecimento e experiências que fortalece a própria Rede”, define Natália Toledo, educadora que trabalha com o grupo.

Ela ainda aponta momentos diferentes de trabalho. No ano de 2015, o foco foi a criação de redes de fortalecimento, e uma conquista importante para os integrantes da Costura Solidária foi a criação da Incubadora Pública de Empreendimentos Econômicos Solidários, iniciativa da Secretaria do Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo de São Paulo (SDTE) que contou com o apoio da Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários (Unisol Brasil) para implementação.

Em 2016, a consolidação e o amadurecimento do trabalho do grupo fez com que seus integrantes organizassem as oficinas de multiplicação de conhecimento e passassem, também, a incubar empreendimentos naquele espaço, que vem se tornando uma referência da economia solidária na cidade.

Em 2017, a rede Costura Solidária se vê envolvida com outros dilemas, como a continuidade dos processos de formação e do próprio projeto, a prospecção ativa de clientes e a autogestão, a consolidação da figura jurídica, articulação política e produtiva na economia solidária e a construção de uma linha de produtos direcionada ao público.

“O grupo começou como um ajuntamento de pessoas, onde poucas se conheciam, e foram se articulando. Estão desenvolvendo autonomia e protagonismo em diversos aspectos: gestão da produção, engajamento político, engajamento no grupo e entendimento do segmento de forma ampla. Têm consciência política e estão aprendendo e construindo as relações em rede. É um processo que sabíamos que seria de médio a longo prazo, e a cada dia o grupo está se afinando e atuando com apoio da Unisol e da SDTE”, avalia Natália.

Fotos: Pixabay e Divulgação

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

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