Recicla, revende e repara: um exemplo de sustentabilidade no mundo da moda

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Os escandinavos sempre foram vanguardistas. Na área do design, são referência global. Em sustentabilidade, vivem inovando com iniciativas na mobilidade urbana e uso de energias renováveis. E na moda, eles também dão exemplo. Como é o caso da sueca Nudie Jeans.

Para começar, a marca, criada em 2001, na cidade de Gotemburgo, recomenda aos seus consumidores não lavarem suas calças jeans antes de seis meses de uso. A fabricante sugere, que se alguém achar que a peça está mesmo muito suja, pense primeiro no meio ambiente e simplesmente, a pendure no varal para tomar um ar.

Os jeans são fabricados exclusivamente com algodão cultivado em plantações orgânicas, na Índia, certificadas com selo de fairtrade (que atesta as condições de trabalho justo e bem remunerado). Os indianos fazem parte de uma organização não governamental, a Chetna Organic, que trabalha com pequenos e marginalizados produtores com o objetivo de melhorar sua qualidade de vida e tornar mais sustentável o plantio do algodão.

Para os criadores da Nudie Jeans, a razão para investir no algodão orgânico é óbvia: não há outra maneira de se ter uma terra forte e sustentável se não for através do plantio livre de pesticidas. A fabricante deixa ainda mais claro para seus consumidores o porquê do algodão orgânico na produção de suas roupas. A produção do jeans é um processo que envolve o uso de muitas substâncias químicas, que poluem tanto o solo como a água. De acordo com a marca, ao usar algodão orgânico, reduz-se em 26% a erosão do solo, em 91% o consumo de água e 62% o gasto com energia.

Já para evitar que as roupas da marca sejam manufaturas por trabalhadores mal-remunerados, em condições degradantes, como é comum em fábricas usadas por grandes marcas da moda, já denunciadas várias vezes, a Nudie Jeans preferiu confeccionar as calças na Europa. Assim, tem certeza que não há trabalho infantil ou em condições similares à escravidão envolvidos.

Agora, é mesmo depois da venda, que vem a parte mais bacana da história da marca sueca. A cada produto comprado, o consumidor tem direito – gratuitamente – a um reparo da peça. Só no ano passado, foram mais de 20 mil jeans consertados. São diversas lojas de reparos ao redor do mundo, em países onde a Nudie Jeans tem lojas (infelizmente, nenhuma ainda no Brasil). Ah, e se o cliente não mora perto de nenhuma delas, dá para pedir de graça um kit de costura pelo correio.

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Rasgou? É só levar para consertar, gratuitamente, numa loja de reparos

Mas ainda tem mais. Apesar de encorajar seus clientes a usar seus jeans muitos e muitos anos, caso eles queiram mesmo comprar um outro, a marca recebe a peça velha e dá 20% de desconto na nova. A usada é lavada, consertada e vendida como “segunda mão” nas lojas, onde recebe um selo de “Good Environmental Choice(Boa Escola Ambiental, em inglês).

Por último, quando não é possível mesmo recuperar as peças usadas, elas são transformadas novamente em fios, utilizados para fabricar tapetes, bonés e até, assentos para cadeiras.

No ano passado, a Nudie Jeans ganhou o prêmio Sustainable Style Award, um reconhecimento pelo trabalho ético e responsável no mundo da moda. Os suecos provam que sim, é possível, agir de maneira sustentável produzindo roupas. O exemplo está aí para ser seguido!

 

Fotos: divulgação Nudie Jeans

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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