Receita para um mutirão de sucesso


Você já pensou em fazer um mutirão de limpeza e organização do seu próprio terreno ou espaço?

Pois neste post, o arquiteto e ambientalista Uli Zens – um dos integrantes do Casal Verde e um dos autores deste blog (na foto ao lado) -,  conta os “segredos” de um mutirão agroflorestal bem-sucedido pra você se inspirar a organizar um também.

Essa ideia pode parecer longe da realidade para muita gente. Mas é o que vem acontecendo em muitos lugares do Brasil seja para transformar uma área numa agrofloresta ou limpar um quintal cheio de coisas velhas.

Se você tem uma boa rede de relacionamentos e amigos que gostam de colocar as mãos na massa já tem o ponto inicial para realizar o seu mutirão de sucesso. Você pode propor que as pessoas se juntem para realizar um trabalho coletivo em um dia ou num final de semana.

Não envolve dinheiro, mas, principalmente, o prazer de fazer algo pelo outro, pela comunidade. E um belo dia pode ser que você precise também  de um mutirão como esse.

Nos últimos meses, participei de dois mutirões organizados por amigos em ambientes bem diferentes: um, na Lapa, em São Paulo (junto com a Zuzu, minha companheira na vida pessoal, em vários projetos como o Casal Verde e neste blog), e outro no Sítio Travessia, em Itajubá, na Serra da Mantiqueira, que carinhosamente chamamos de Sítio do João (João Pedro David, que aparece na foto ao lado com a família), meu amigo e sócio no Incriatório.

Escolhi contar aqui sobre a organização do mutirão na área de agrofloresta do João. Foi um evento e tanto que, já pelo convite, desenhou uma boa perspectiva:
– O objetivo ajudou, de cara: preparar uma grande área para plantio agroflorestal com convidados de várias áreas profissionais, agrofloresteiros e gente que nunca tinha visto uma enxada de perto; e
– A companhia também: atividades com música, cultura e boa comida coordenada por famosa chef de São Paulo, que era a minha amiga Cláudia Mattos, do Espaço Zym, que também é líder do convívio SlowFood em São Paulo. Como eu a conheço, não tive dúvida de que ia trabalhar muito, mas, na hora da comida, a recompensa também seria grande ;-). Por isso (também), logo aceitei o convite.

O João Pedro preparou uma lista com as coisas que cada pessoa poderia levar para ajudar nas atividades e eu me organizei para levar tesouras, facão, serrinha e muita tralha especializada.

Cheguei na sexta-feira à noite e já foi uma festa porque encontrei e conheci pessoas muito legais e, emocionados, nos preparamos para os próximos dois dias. Vale comentar que a lista do que tínhamos que fazer era tão extensa que parecia que a gente ia ficar lá uma semana… Mas, como arquiteto, sei que um bom planejamento já garante metade do (bom) resultado.

O primeiro dia


Seis horas da manhã, todo mundo de pé e rumamos para a fazenda. Preparamos um bom café e logo  as pessoas chegaram equipadas com facões, facas, enxadas, roçadeiras, motosserras, botas, macacões, tesouras, chapéus … pareciam parentes e irmãos do Ernest Gotsch, o suíço que revolucionou o plantio e ajudou a disseminar o conceito de agrofloresta por aqui.

Patrícia Vaz – uma das maiores conhecedoras de agrofloresta no Brasil – estava lá. E tinha também gente com sapatinhos, camisetas e pele branca, que parecia que nunca haviam estado numa fazenda antes, mas demonstravam uma super vontade de colaborar e de aprender. E nada que um bom protetor solar não resolvesse.

Assim como um bom planejamento, um bom briefing também garante o sucesso de qualquer mutirão. A lista de afazeres era enorme e o terreno grande. Então, era preciso listar os passos a serem seguidos e um era dependente do outro. Por isso, o João organizou os participantes em grupos de atividades, reuniu pessoas com diferentes graus de conhecimento num mesmo grupo, e também mais e menos experientes, assim todos poderiam aprender.

Parada ao meio dia e super almoço da chefinha Cláudia (na foto ao lado com seus ajudantes especiais) deu um novo ânimo a todos.  E vocês não vão acreditar, mas aconteceu quase um milagre: no final do primeiro dia, quase metade da lista de tarefas apresentada por João havia sido cumprida.

No final do dia, muita gente foi embora para voltar no dia seguinte. Eu tomei a decisão de acampar na fazenda. Afinal, tenho uma barraca praticamente nova, que foi usada apenas uma vez  e achei que ela merecia ser mais útil!

Tomar banho não foi possível, mas com inspiração nada é impossível. Consegui  montar um chuveiro improvisado e, pra ajudar, uma boa chuva caiu do céu na mesma hora. Coisas assim fazem parte e esta limpeza também foi ótima!

E claro que eu passei a noite tranquilamente na barraca, dormindo como uma pedra.

O segundo dia


Neste dia, o progresso foi mais rápido ainda. Depois de realizar várias tarefas diferentes, finalmente era a minha vez de usar a roçadeira. Gostei tanto que não queria  mais parar até que o último mato fosse cortado.

Missão cumprida! Mutirão realizado e finalizado.

As fotos de Fábio Quireli são uma de suas contribuições para o mutirão: as demais foram cuidar das máquinas mais grossas e barulhentas.

As imagens são o registro do nosso grau de satisfação e prazer. A princípio, parecia uma missão quase impossível, mas conseguimos finalizá-la. E eu não vejo a hora de voltar para ver as primeiras mudas crescendo.

Espero que este relato inspire você a realizar seus próprios mutirões, não importando o objetivo. E que você inspire mais pessoas ao seu redor!

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Leia também:
Mutirão Agroflorestal 
Sítio Travessia (do João) – produção agroflorestal

Maria Zulmira de Souza, a Zuzu, é jornalista pioneira na área de comunicação sobre sustentabilidade. Criou programas e séries mostrando como viver de forma sustentável no dia-a-dia. Conselheira de várias ONGs e instituições, dirige a Planetária Casa de Comunicação. Ulrich Zens, o Uli, é arquiteto paisagista alemão. Desde 1984, pratica o paisagismo multifuncional em projetos para espaços públicos na Alemanha, Arábia e Brasil. Veio a São Paulo por causa de uma história de amor. Eles formam o Casal Verde, aqui e no YouTube, para tratar de sustentabilidade, arquitetura, maturidade, arte e relações saudáveis.

Maria Zulmira de Souza e Ulrich Zens

Maria Zulmira de Souza, a Zuzu, é jornalista pioneira na área de comunicação sobre sustentabilidade. Criou programas e séries mostrando como viver de forma sustentável no dia-a-dia. Conselheira de várias ONGs e instituições, dirige a Planetária Casa de Comunicação. Ulrich Zens, o Uli, é arquiteto paisagista alemão. Desde 1984, pratica o paisagismo multifuncional em projetos para espaços públicos na Alemanha, Arábia e Brasil. Veio a São Paulo por causa de uma história de amor. Eles formam o Casal Verde, aqui e no YouTube, para tratar de sustentabilidade, arquitetura, maturidade, arte e relações saudáveis.

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