Racismo: até quando mais conviveremos com o ódio, a ignorância e a intolerância?

Racismo: até quando mais conviveremos com o ódio, a ignorância e a intolerância?

A foto acima mostra a linda família dos atores Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank. Ao centro, sendo abraçada e beijada pelos pais amorosos, está a pequena Titi, de 2 anos, que foi adotada pelo casal, em Malaui, no Sul da África. Foi lá que Giovanna conheceu a filha e se apaixonou por ela.

Na semana passada, entretanto, Gagliasso e a mulher foram expostos a comentários racistas nas redes sociais, já que os dois, brancos, adotaram uma criança negra. O pai prestou queixa-crime na polícia por causa das mensagens preconceituosas de que Titi (lembrando, uma menina de apenas 2 anos!) foi alvo na internet. “Racismo se combate com amor e justiça”, afirmou o ator na saída da delegacia. Em sua conta no Twitter, ele escreveu: “Minha filha tem algo que esses caras não têm: amor. Em relação ao preconceito, a gente tem que ser intolerante”.

Esta semana, nos Estados Unidos, o alvo do preconceito foi a primeira-dama daquele país, Michelle Obama, esposa do presidente. Pela sua página no Facebook, uma americana fez um comentário racista, que eu prefiro nem reproduzir aqui, tal o nível de repulsa que ele me dá. Se não houve ainda como piorar o que foi feito, outras pessoas curtiram a mensagem preconceituosa. Entre elas, estava a prefeita de uma cidade do estado de West Virginia, que já pediu demissão do cargo depois da infeliz “curtida”.

Atualmente existe uma onda alarmante – e assustadora, – de intolerância no mundo todo. Mais do que nunca, a campanha do recém-eleito presidente americano, Donald Trump, escancarou isso na mídia.

Para mim, em primeiro lugar, o que provoca maior indignação é pensar como pessoas – seres humanos, como eu e você -, podem realmente pensar que a cor de nossa pele, o lugar onde nascemos ou a religião em que acreditamos nos faz, de alguma maneira, diferentes uns dos outros. Ler notícias sobre os atos de racismo contra Titi e Michelle Obama me faz ter o estômago revirado. Me traz lágrimas aos olhos.

E sejamos honestos, são somente os casos de preconceito contra pessoas famosas que chegam às manchetes da mídia. Sabemos que, todos os dias, milhares de negros continuam sendo discriminados. É um racismo velado e ele está no olhar atravessado aos negros, na insinuação abjeta de superioridade feita por alguns.

Para agravar ainda mais esta situação, as mídias sociais têm servido para “blindar” os racistas. Escondidos atrás das redes sociais, pessoas ignorantes e intolerantes acham que podem disparar suas baboseiras online sem serem acionadas criminalmente. Isto está gradualmente mudando. No ano passado, depois de sofrer ataques racistas, a atriz Taís Araújo conseguiu ver os criminosos (sim, eles são bandidos!) serem presos. Mas, novamente, é bom lembrar que ela é um celebridade. E os demais milhões de brasileiros negros que enfrentam o preconceito?

Foi só em 1989, que atos de discriminação por raça e cor começaram a considerados crimes no Brasil. Mas é necessário ir além. Juntos, como sociedade, precisamos denunciar qualquer ato de racismo, discriminação, preconceito ou injúria. Precisamos conversar com nossos filhos e mostrar nossa indignação perante à ignorância e à intolerância: SOMOS TODOS IGUAIS, independente, repito mais uma vez, da cor da nossa pele, das nossas crenças religiosas, políticas, da nossa opção sexual. É exatamente esta diversidade que nos faz sermos seres tão vibrantes, maravilhosos e únicos.

Então, se você for vítima ou presenciar algo, aprenda aqui o que fazer para denunciar o racismo. Em algumas capitais, como São Paulo, é possível prestar queixa em lugares especializados, como a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. Em outros estados, a denúncia pode ser feita em qualquer delegacia. Há também o Disque 100, serviço do governo federal para receber denúncias de violações aos direitos humanos.

Já para casos de discriminação ou injúria racial em sites da internet ou nas redes sociais, como o sofrido pela filha do ator Bruno Gagliasso, deve-se copiar o link da página, dar um print-screen na mesma (inclusive no perfil do usuários, nos comentários e nas imagens) e com este material em mãos, ir à delegacia prestar queixa.

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Foto: reprodução Facebook

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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