Quem bate lá? O frio!

plantas congeladas com o frio do inverno

No Brasil de muitas latitudes, o inverno se aproxima, trazendo frescor às plantas quando as temperaturas do entardecer  refrescam o calor dos dias. O orvalho se forma e às vezes, dependendo da região onde você mora, até congela. O fenômeno, conhecido como geada, pode ser fatal para algumas lavouras porque queima as folhas e os brotos.

Então, como preservar nossas plantas do frio do inverno? Proteger os cultivos com estufas plásticas ou cobertura morta (camada de palha ou folhas que cobre o solo, protegendo-o das bruscas mudanças de temperatura) pode ajudar, mas se a geada for muito intensa, não há nada que se possa fazer. Acender fogueiras pode minimizar a queda da temperatura, mas será somente um paliativo local.

A geada esteriliza a terra queimando sementes e pragas. E isso não é de todo ruim. Para as plantas nativas pode ser o momento da quebra da dormência de algumas sementes, mas o nosso país é extenso e as regiões se diversificam muito.

Nos lugares de baixa altitude, perto da costa do mar, intensifica-se o regime de chuvas e alguns jardins se tornam submersos  pela saturação do solo e o levantamento do lençol freático, dando abundância às folhas semi-aquáticas e aos rizomas como o gengibre e as bananeiras ornamentais. A água permeia tudo, alimentando o ecossistema de riachos intermitentes, trazendo lixo flutuante  e propagando a vida de sapos e insetos. É o momento de prevenir  as infestações dos mosquitos e larvas.

Para quem plantou a crotalaria antes do inverno, mais ou menos pelos meados de março, seu florescimento atrairá  as libélulas que são consumidoras vorazes de larvas em encharcados. Mas a limpeza se faz necessária, por mais que haja a conscientização das pessoas em acondicionar o lixo em locais adequados, a maré e o vento os trazem de todas as partes.

Em localidade de maior altitude, a estiagem seca os gramados e a pastagem, se não for desbastada, principalmente junto às estradas, representa risco de incêndio. Nestas regiões, como no centro-oeste do país, o déficit hídrico pode ser minimizado pela cobertura morta e pela irrigação por gotejamento.

No jardim, a cobertura dos gramados com terra servirá de proteção e estímulo para novo crescimento. Na horta,  será a colheita dos cultivos de verão e a nova semeadura dos cultivos da primavera.

O inverno é ainda boa hora para revirar o composto, deixando o ar revigorar as bactérias aeróbicas, depois de ter fermentado por quase quatro meses, ele precisa de movimento para terminar de curtir. Use um garfo de celeiro, aqueles bem grandes como o tridente de Netuno, e deite as camadas de lado separando tocos e cascas que ainda não se desfizeram. Evite, entretanto, fazer este trabalho na presença de crianças e pessoas alérgicas, por causa da poeira e da presença de ácaros, fungos e mofo, presentes no processo da compostagem. Use óculos e um lenço para proteger o rosto.

Para quem tem um minhocário, a colheita do chorume, que se deposita embaixo dos compartimentos. A aplicação dele nas sementeiras será um grande reforço para o solo.

Apesar do frio, o inverno traz ótimas oportunidades. Aproveite a chegada das Festas Juninas para fazer enfeites no jardim. Envolva as crianças em pequenas atividades, como pendurar bandeirinhas, colocar alimento para os pássaros, fazer armadilhas para insetos e pintar pedras com o nome das ervas  medicinais que cresceram.

Para quem mora no Sul do Brasil, o inverno é sinônimo de pinhão. Então, prepare um ótimo chá e se delicie com os frutos da estação!

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Foto: domínio público/pixabay

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

Liliana Allodi

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

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