Quase 600 espécies de plantas foram extintas no planeta nos últimos 250 anos

Quase 600 espécies de plantas foram extintas no planeta nos últimos 250 anos

A oliveira de Santa Helena, Nesiota elliptica, foi uma árvore descoberta pela primeira vez, em 1805, na ilha de Santa Helena, no Oceano Atlântico Sul. Apesar de a maior parte da vegetação original da ilha ter sido destruída, uma única árvore idosa sobreviveu até 1994, a qual conservacionistas locais conseguiram coletar estacas antes de sua morte.

Foram feitas diversas tentativas para conseguir novas mudas. Duas árvores brotaram da original e sobreviveram no local até sucumbirem a um devastador ataque de cupins e infecções fúngicas, em 2003.

O relato acima faz parte de um estudo inédito, elaborado por pesquisadores da Universidade de Estocolmo, na Suécia, e do Royal Botanic Gardens, Kew, do Reino Unido, que analisou a extinção de plantas no mundo inteiro.

Assim como a oliveira de Santa Helena, outras 570 espécies foram extintas do planeta nos últimos dois séculos. Simplesmente desapareceram.

Divulgado na publicação Nature Ecology & Evolution, o artigo científico alerta que o ritmo de extinção das plantas tem sido 500 vezes mais rápido do que o das espécies animais. Isso significa, que desde 1900, são três plantas que somem por ano.

Além disso, o número das extinções é o dobro registrado em comparação a aves, mamíferos e anfíbios juntos, que somam 217, no total, no mesmo período.

“A maioria das pessoas pode citar um mamífero ou ave que se tornaram extintas nos últimos séculos, mas poucos podem nomear uma planta que desapareceu”, afirma Aelys Humphreys, professor do Departamento de Ecologia, Meio Ambiente e Ciências das Plantas da Universidade de Estocolmo e um dos autores do artigo. “Com este estudo, pela primeira vez, temos uma visão geral de quais plantas já foram extintas, de onde elas desapareceram e com que rapidez isso está acontecendo”.

Último registro da oliveira de Santa Helena: ela já não existe mais

A interferência humana e o desmatamento

De acordo com o levantamento, as maiores taxas de extinção ocorrem em ilhas, nos trópicos e em áreas com clima mediterrâneo – regiões típicas de biodiversidade que abrigam muitas espécies únicas, vulneráveis às atividades humanas. Um desses exemplos é o Havaí, onde 79 plantas não são mais encontradas.

Os autores explicam que as espécies mais ameaçadas são as lenhosas (como árvores e arbustos), com pequena distribuição geográfica. Segundo eles, a descoberta sugere, assim como os animais em risco de extinção, as plantas são afetadas por fragmentação e destruição da vegetação nativa (desmatamento), provocadas pelas atividades humanas.

Os cientistas ressaltam que a compreensão da extinção das plantas é crucial – toda a vida na Terra depende delas -, por isso “medidas eficazes de conservação devem ser postas em prática para evitar a destruição de outros organismos e ecossistemas dos quais nós, humanos, dependemos”.

“As plantas sustentam toda a vida na Terra. Elas fornecem o oxigênio que respiramos e a comida que comemos, além de formar a espinha dorsal dos ecossistemas do mundo – sua extinção é uma má notícia para todas as espécies”, destaca Eimear Nic Lughadha, cientista do Royal Botanic Gardens e um dos co-autores da pesquisa.

Os especialistas apontam, ainda, que há poucos dados sobre a extinção da fauna em países da África e da América do Sul.

Sabe-se, todavia, que na região Sudeste do Brasil, onde está a floresta de Mata Atlântica, entre 20 e 30 espécies de plantas já não existem mais.

Fotos: domínio público/pixabay (abertura – imagem ilustrativa) e Rebecca Cairns-Wicks (oliveira de Santa Helena)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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