Quase 270 hectares de vegetação da Mata Atlântica foram destruídos com rompimento de barragem, em Brumadinho

Quase 270 hectares de vegetação da Mata Atlântica foram destruídos com rompimento de barragem, em Brumadinho

*Atualizado às 17h47

O Centro Nacional de Monitoramento e Informações Ambientais (Cenima) do Ibama divulgou ontem (30/01) o primeiro levantamento sobre a dimensão do impacto ambiental do rompimento da barragem de mineração da Vale, em Brumadinho (MG).

Segundo dados obtidos através de comparação feita com imagens de satélite, antes e após o acidente, 269,84 hectares de vegetação nativa da Mata Atlântica foram destruídos, algo equivalente a 377 campos de futebol.

Os mapas do Cenima mostram uma área que vai desde a mina do Córrego do Feijão até a confluência com o rio Paraopeba. A análise revela ainda os rejeitos de mineração devastaram 133,27 hectares de mata e 70,65 hectares de Áreas de Proteção Permanente (APP), ao longo de cursos d’água afetados pelos resíduos de mineração.

No sábado (26/01), o Ibama multou a Vale em R$250 milhões pela “responsabilidade na catástrofe socioambiental”. O resultado dos primeiros exames feitos com a água do rio Paraopeba foram divulgados no final da noite. Foram recolhidas amostras de 47 pontos diferentes. Em comunicado conjunto, as Secretarias de Estado de Saúde, do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais alertaram que a água apresenta risco à saúde humana e animal. Foram encontrados valores até 21 vezes acima do aceitável de mercúrio e chumbo. Também foi detectada a presença de níquel, cádmio e zinco, em um dos pontos de monitoramento.

A contaminação da água foi observada desde a confluência do Rio Paraopeba com o Córrego Ferro-Carvão até o município de Pará de Minas.

E qual será o impacto dos 12 milhões de metros cúbicos de lama sobre outros recursos naturais e a vida animal da região? Apesar de a Vale afirmar que os dejetos não são tóxicos, especialistas dizem que haverá contaminação do solo também. A da água já está confirmada.

No caso do desastre de Mariana, quando a barragem de Fundão, da mineradora Samarco, se rompeu em 2015, os prejuízos ambientais ainda hoje, mais de três anos depois, continuam a ser percebidos. Dois anos depois da tragédia, o minério ainda contaminava a água do Espírito Santo, da Bahia e do Rio de Janeiro.

Outra dúvida que fica. A Vale ficará responsável pela recuperação de toda essa mata nativa destruída? Fará o replantio da vegetação e das árvores?

*Com informação do jornal O Estado de S. Paulo 

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Foto: Isac Nóbrega/Fotos Públicas

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Um comentário em “Quase 270 hectares de vegetação da Mata Atlântica foram destruídos com rompimento de barragem, em Brumadinho

  • 31 de janeiro de 2019 em 11:04 AM
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    O interesse monetário costumar embaçar a visão daqueles diretamente ligados a ele, ao contrário do altruísmo que amplia a vidência dos indivíduos ocupados em descobrir pessoas onde a lama as sepultou e ouvir tênue latido sob escombros e paus. Somos humanos, mas não iguais, quando se trata de escolher prioridades, distinguindo preciosidades nos corações abnegados, ao invés de enxergá-las no brilho fictício e traiçoeiro de metais sem emoções. Sim, o amor é cego e surdo também, quando se ama compensações financeiras, virando as costas para comunidades tranqüilas, sem lhes admirar a riqueza verdadeira e mensurar o seu preço, sem lhes ouvir as melodias sagradas que louvam a natureza e o sol de cada dia, agradecendo a Deus por tudo e por “tão pouco”. Impossível reverter essa cegueira e essa surdez da ambição humana, que agora se transformam na mudez dos culpados, dos réus, dos penitentes e dos supliciados porque sofrem muito mais os fabricantes da desgraça do que os próprios desgraçados e porque já estavam mortos os fazedores da tragédia mais do que os que morreram agora. Fabricantes de lágrimas não conseguem chorar, demolidores de sonhos não sabem mais dormir nem respirar além da barreira dos próprios remorsos, morrendo repetidas vezes sem descansar em paz porque não se perdoam e nem descobrem um fiapo sequer de alguma luz que os norteie para a saída do sepulcro que cavaram, desavisados e insensatos, com as próprias mãos carregadas de minério e com as próprias moedas sujas de lama e sangue. Sem olhos para ver e sem ouvidos para ouvir, as maiores vítimas são essas.

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