Quando a floresta é aliada (na diversão) das crianças

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Em minhas viagens pela Amazônia, seja para levar pessoas para conhecer a floresta, seja por outras razões – a lazer ou a trabalho -, sempre observei o quanto as crianças se divertem: nadam em rios, fazem trilhas pela mata e observam, encantadas, os animais.

Se são ribeirinhas, a floresta é um parque de diversão desde o nascimento. Caminham com pés no chão, com e sem roupas por aqui e acolá, saltam das árvores direto para o rio, nadam com amigos fazendo cambalhotas no ar, pegam sozinhas canoas a remo rio adentro. Estar em contato profundo com a natureza é a coisa mais absolutamente normal. Não são incentivadas nem ensinadas a terem medo de estabelecer uma relação com a floresta, pelo contrário – são incentivadas a isso pelos adultos.

Se não são ribeirinhas, chegam na maior floresta do mundo para fazer uma visita, acompanhadas pela família. E, aos poucos, dependendo da postura dos pais, começam a se soltar e a se permitir desfrutar, com mais tranquilidade, da natureza ao seu redor.

A Carol, de 11 anos, é de São Paulo e conheceu a floresta porque seu pai de vez em quando precisa ir a trabalho até Manaus, capital do Amazonas.

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Ela ficou curiosa para conhecer a Amazônia e, graças à abertura de sua família, que providenciou a viagem, descobriu o quanto lá pode ser divertido, apesar dos inúmeros preconceitos em relação à região, muitas vezes vindo das próprias crianças de sua cidade. “Elas me perguntaram: o que você vai fazer lá? Só tem bicho, só tem mato, você vai ser comida por mosquitos. Na verdade, é tudo mentira! Não fui comida por mosquitos, as árvores são muito legais, dá para andar de barco, tem os rios, dá para nadar com botos, tem muita coisa para fazer”.

Quando perguntei se ela gostaria de voltar, sua resposta foi imediata: “Eu quero voltar para cá. Eu VOU voltar para cá. É muito legal!”.

O Rafael é pais de três filhos e, como muitos outros pais, tinha receios de conhecer a floresta. O principal deles era em relação aos mosquitos, mas ele resolveu enfrentar as crenças e partiu por uns dias rumo ao Norte do país.

Chegando na região do Rio Negro, descobriu que estar na Amazônia pode ser gostoso, confortável, seguro e relaxou. Consequentemente, seus filhos também relaxaram. “As crianças nem quiseram passar repelente. Realmente, não era nada daquilo que eu imaginava”, conta.

No final das contas, ele descobriu que adora a Amazônia e seus dias na floresta foram de muito sossego e brincadeira com os filhos. Assista à nossa conversa no vídeo abaixo.

Quando os adultos se abrem para experienciar a floresta com tranquilidade, as crianças fazem o mesmo.

Fotos: Karina Miotto

Conectada com a força da floresta – guiada, protegida e inspirada por ela. Jornalista ambiental, educadora e fundadora do Reconexão Amazônia. Há mais de uma década tem se dedicado a proteger a Amazônia, onde morou por cinco anos. Mestre em Ciências Holísticas pela Schumacher College, Inglaterra, é formada em Educação para a Sustentabilidade pelo Gaia Education e Vivências com a Natureza pelo Instituto Romã.

Karina Miotto

Conectada com a força da floresta – guiada, protegida e inspirada por ela. Jornalista ambiental, educadora e fundadora do Reconexão Amazônia. Há mais de uma década tem se dedicado a proteger a Amazônia, onde morou por cinco anos. Mestre em Ciências Holísticas pela Schumacher College, Inglaterra, é formada em Educação para a Sustentabilidade pelo Gaia Education e Vivências com a Natureza pelo Instituto Romã.

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