Quando as lagartas fazem a festa (e infestam) a horta

lagarta

A lagarta da couve é um inseto voraz, que adora comer não somente a folha que lhe dá nome, mas também brócolis e rúculas. De tão faminta, ela devora estas hortaliças até o talo, deixando na horta um rastro de destruição.

Para saber se é ela que está causando o estrago na sua plantação, tente achar também uma borboletinha amarela, de tom bem pálido, beirando o verde e o branco. Esta última e a lagarta da couve são companheiras inseparáveis, pois na verdade, elas são fases diferentes de desenvolvimento do mesmo inseto, exatamente como acontece com outros tipos de lagartas.

borboleta da lagarta da couve

Se você achar uma borboleta destas na horta é porque tem lagarta da couve comendo suas folhas

A maneira mais rápida de tirar estas invasoras do quintal é procurando pelos seus ovos, já que pode ser mais fácil do que recolher as larvas. No entanto, quando a horta é educativa, tudo faz parte da colheita, inclusive a presença delas. Como dizer às crianças que não queremos estas borboletas? Quem somos nós para evitar que a vida se manifeste e os passarinhos façam um banquete?

Caso você deseje manter algumas lagartas na horta, uma ideia é plantar uma maior quantidade de hortaliças. Outra sugestão é cultivar uma planta daninha, uma invasora conhecida popularmente como nabiça, cujo nome científico é Raphanus raphanistrum L. Ela tambem é apreciadada pela lagarta, podendo ajudar a manter as couves, brocólis e rúcolas  à salvo, deixando assim algumas plantas para serem sacrificadas.

Mas quando a produção do seu suco verde matinal estiver ameaçada, não hesite  em fazer uma boa colheita de lagartas e alimentar as galinhas, passarinhos ou mandá-las num passeio  sem retorno para a escola dos filhos, onde estes insetos serão recepcionadas com grande alegria, concretizando os estudos sobre a metamorfose.

Para evitar a superpopulação de lagartas na horta, também existem outros truques e remédios. Um deles, por exemplo, é o uso de uma simples casca de ovo. Colocada nos canteiros, de forma bem visível, funcionam como espantalhos para as borboletas, que ao verem os ovos evitam o ambiente, pois acreditam que as mesmas sejam de pássaros, predadores das lagartas. Outra recomendação é pulverizar as hortaliças com chás repelentes, acrescidos de sumo de cebola, chá ou tintura alcóolica de alecrim, chá de fumo de corda e alho, ou então, pimenta malagueta agregada à solução de sabão. Isso pode ser feito uma vez a cada 15 dias.

Já quando a infestação estiver na fase larval, a catação manual é a melhor maneira de controlá-las. Taturanas e mandrovás são insetos na sua fase larval. A presença de borboletas e mariposas dão a dica dos lugares onde elas se escondem e seus ovos e se desenvolvem.

Muitas vezes, o aparecimento destes insetos se dá pela falta de equilíbrio entre seus predadores naturais, como aranhas, pássaros, répteis, sapos e mamíferos, marsupiais, morcegos, primatas e ainda, pela perda do seu habitat (lugar de origem). Se não há quem as ataque, as lagartas se tornam pragas.

Para reestabelecer o equilíbrio, o estudo de seus hábitos é imprescindível para ajudar na manutenção da rede de predadores naturais, no entanto com as mudanças climáticas, não estamos à salvo destas formas de desequilíbrio. Estudar os pássaros, preservá-los e atraí-los para o seu jardim pode ajudar a entender a sazonalidade destes insetos, que servem de fonte proteica para as aves que migram longas distâncias.

O importante é manter o espírito curioso, como já comentei no post da semana passada, e observar e estudar cada manifestação de vida do jardim e tomar medidas preventivas  para defender sua  colheita.

Fotos: domínio público/pixabay

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

Liliana Allodi

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

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