Quaden Bayles, garoto que sofreu bullying por ter nanismo, ganha viagem à Disney, mas família decide doar valor para instituições

Atualizado em 3/3/2020 (informações sobre o crowdfunding)

A história do pequeno Quaden Bayles comoveu o mundo. Desesperada, em 18 de fevereiro, sua mãe, Yarraka, tornou públicos, nas redes sociais, os ataques de bullying que o garoto de 9 anos vinha sofrendo na escola. Ela publicou vídeo gravado logo após pegar Quaden na escola, quando ele chorava compulsivamente, dentro do carro, dizendo que queria se matar. Ele tinha acabado de passar por episódio desse tipo na escola e estava sob forte emoção. “Me dê uma corda, eu quero me matar. Eu só quero me esfaquear no coração, quero que alguém me mate”, chorava.

Em seguida, no mesmo vídeo, a mãe desabafa: “Acabei de pegar meu filho na escola, testemunhei um episódio de bullying, liguei para o diretor e quero que as pessoas saibam – pais, educadores, professores – que este é o efeito que o bullying tem. Todo dia, algo acontece. Outro episódio, outro assédio moral, outra provocação, outro xingamento. Você pode educar seus filhos, suas famílias, seus amigos?”. Yarakka fez isso para pedir socorro e ajudar a conscientizar as pessoas de que bullying é crime, é muito grave.

O menino australiano tem acondroplasia, o tipo mais comum de nanismo, e sua família é de origem aborígene. Isso bastou para que fosse constantemente ridicularizado pelos colegas. Quaden estava em pânico.

Quaden se torna símbolo de movimento contra o bullying

O post de Yarakka viralizou rapidamente. Em apenas dois dias, o vídeo foi visto quase 20 milhões de vezes. Pessoas de todo o mundo se uniram e colocaram a hashtag #WeStandWithQuaden (Nós Estamos Com Quaden, em tradução livre) entre as trending topics do Twitter e abriram espaço para discutir o caso e o que podemos todos fazer para combater essa prática tão nefasta: o bullying.

A campanha da mãe de Yarraka também sensibilizou muita gente famosa como o ator Hugh Jackman, conhecido por interpretar Wolverine no cinema. Ele gravou uma mensagem de apoio e um recadinho para todos que cometem esse ato repugnante e publicou em seu Twitter.

“Quaden, você é mais forte do que imagina, cara”, disse Jackman. “Não importa o que aconteça, você tem um amigo em mim. Então, pessoal, vamos ser mais gentis uns com os outros. Bullying não é legal. A vida já é difícil suficiente, então vamos sempre lembrar que todas as pessoas já estão enfrentando algum tipo de batalha. Vamos ser mais legais”.

A equipe da liga indígena de rugby All Stars também apoiou Quaden, que é fã do time composto por aborígenes e ilhéus, e sonha em ser jogador profissional. O zagueiro Latrell Mitchell, o convidou para liderar o time em um vídeo.

“Nós te apoiamos e só queremos ter certeza de que você está indo bem … queremos você por perto, queremos que você nos conduza no fim de semana”. O garoto entrou em campo com os jogadores para uma partida contra o Nova Zelândia Maori, em Queensland (foto acima). Foi lindo.

Pra que viajar à Disney?

O ator e comediante Brad Williams, que tem o mesmo tipo de nanismo de Quaden, criou uma campanha de crowdfunding para arrecadar US$ 10 mi, em 19 de fevereiro (um dia depois do post de Yarraka), e escreveu na página: “Não é apenas por Quaden, é para todos que foram intimidados e que ouviram que não eram bons o suficiente. Vamos mostrar a Quaden e outros que há coisas boas no mundo e que elas são dignas disso”.

Até o fechamento deste texto (28 de fevereiro, 14h30), foram arrecadados US$ 474.424 dólares (cerca de 2.129,55 reais, no câmbio de 28/2) Brad queria levar Quaden e Yarakka à Disney, na Califórnia, nos Estados Unidos, mas uma tia do menino declarou que a família prefere doar o valor arrecadado pelo ator para instituições que atendem pessoas com nanismo e que sofrem bullyng e discriminação.

O ator, então, atualizou a página de crowdfunding e explicou que, para atender a decisão da família de Quaden, reformulou o objetivo da campanha: “ajudar Quaden e outras pessoas nos Estados Unidos e na Austrália, que são impactadas por bullying e discriminação, através do trabalho de várias instituições especializadas”. E explicou que, se alguem não concordasse com a mudança, poderia comunicar a administradora do financiamento coletivo. E o valor mudou: caiu para US$ 461.859 (ou cerca de 2.092.683,12 reais; com o dólar a 4,5310 reais).

Brad ainda destacou que “todos os fundos restantes serão direcionados para Quaden Bayles para que receba acompanhamento médico, educação, custos de acomodação, alimentos para sua família e doações para instituições de caridade adicionais de sua escolha”. E finalizou com uma mensagem linda: “Os agressores nunca vencem, e esse esforço de captação de recursos mostra que, quando os agressores atacam, as comunidades se orgulham de fazer o que é certo. Obrigado por fazer parte desta comunidade global de seres humanos gentis e impressionantes”.

E o que fica deste movimento? A importância de denunciar quaisquer violações dos direitos humanos, vindas de qualquer ser, não importa a idade, o sexo, a origem, a raça. Ninguém pode humilhar outra pessoa, seja qual for o motivo. E todas que quiserem fazer isso devem ser estimuladas a compreender que sua atitude maldosa é criminosa, pode ser fatal e levar a vítima ao desespero e, em seguida, ao suicídio. E, por isso, deve ser combatida.

Aos seis anos, Quaden tentou se matar. Foi mal sucedido, claro, mas seu desespero já era evidente. Passaram-se três anos, até que sua mãe não suportou mais ver o sofrimento do filho. E deu às redes sociais a vocação que elas deveriam ter sempre: de ajudar, de incentivar o amor e a solidariedade, e não de espalhar o terror e o desamor. Esta semana, outra hashtag “bombou”: #StopBullying. Vamos aderir!

Siga Quaden no Instagram. É muito reconfortante ver esse garoto que, há poucos dias, queria acabar com a vida, sorrindo, vivendo, se divertindo, como deve ser.

Agora, leia o texto que o comediante Brad Williams escreveu para atualizar o objetivo de sua iniciativa com o crowdfunding.

“Os agressores nunca vencem”

“Do fundo do meu coração, agradeço a todos no mundo todo que doaram, compartilharam e apoiaram este GoFundMe verificado para acabar com o bullying e ajudar um jovem carente.

O objetivo desta campanha continua a ajudar Quaden e outras pessoas nos Estados Unidos e na Austrália, que são impactadas por bullying e discriminação através do trabalho de várias instituições de caridade.

Eu estive em estreita comunicação com a família de Quaden e respeito totalmente suas necessidades e as necessidades das pessoas das Primeiras Nações Australianas que estão sofrendo bullying e discriminação a taxas extremamente altas. Por esse motivo, decidi que as doações serão melhor utilizadas se forem direcionadas para instituições de caridade, focadas em ajudar pessoas afetadas por bullying e discriminação, incluindo aproximadamente US $ 66.000,00 (AUD $ 100.000,00) para cada uma das seguintes ONGs: Fundação Born This Way,
STOMP Out Bullying, O sonho da Dolly, Dwarfism Awareness Australia, Gallang Place e
Fundação Balunu.

Como a família se recusou a ir para a Disneylândia, todos os fundos restantes serão direcionados para Quaden Bayles para obter ajuda médica direta, educação, custos de acomodação, alimentos para alimentar a família e doações para instituições de caridade adicionais de sua escolha.

Se você preferiu que sua doação fosse usada para enviar Quaden para a Disneylândia e gostaria de um reembolso, entre em contato com a equipe do GoFundMe (https://bit.ly/383h679) diretamente. Os pedidos de reembolso serão atendidos até 23h59 PST de 12 de março de 2020.

Os agressores nunca vencem, e esse esforço de captação de recursos mostra que, quando os agressores atacam, as comunidades se orgulham do que é certo. Obrigado por fazer parte desta comunidade global de seres humanos gentis e impressionantes”.

Fotos: Reproduções do Twitter e Facebook

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Deixe uma resposta