Proliferação de peixe-leão ameaça Mar Mediterrâneo

peixe-leão

Uma espécie invasora está causando alarde em ambientalistas e biólogos europeus: o peixe-leão. Nativo dos Oceanos Índico e Pacífico, o lionfish (seu nome em inglês) é um predador. Seus espinhos venenosos provocam muita dor e em recifes de corais, ele se alimenta vorazmente de outros peixes. Em seu habitat natural, o peixe-leão é controlado pela cadeia alimentar, onde é presa de espécies de garoupas e até por tubarões. Mas longe dos inimigos naturais, ele se reproduz rapidamente e sem controle. Uma fêmea pode colocar até 2 milhões de ovos por ano.

E é exatamente isso que vem acontecendo no Mediterrâneo. Os primeiros indivíduos foram vistos na costa de Israel na década de 90. Mas segundo um alerta dado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) recentemente, o peixe-leão está se proliferando por outras regiões, como por exemplo, nas águas da Turquia e Chipre.

O mesmo já aconteceu no Caribe e Atlântico. Pesquisadores não sabem exatamente como o invasor chegou lá. Há algumas teorias aceitas. Uma delas é que quando o Furacão Andrew atingiu a Flórida, em 1992, vários peixes-leão teriam ido para o mar por causa da destruição de um aquário na costa.

O fato é que a espécie infestou a região. Atualmente eles são vistos em Cuba, nas Bahamas e no México. Na Península de Yucatan chegaram em 2009. Logo começaram a se alimentar de espécies de peixes mexicanos.

No Brasil, um peixe-leão foi capturado no litoral de Arraial do Cabo, Rio de Janeiro, em 2014. Segundo pesquisadores, este indivíduo tem ligação genética com os invasores do Caribe e isso significa que ele pode percorrer longas distâncias.

Se em seu habitat natural o peixe-leão é controlado por predadores, no Mediterrâneo, Atlântico e Caribe ele não é percebido pelas demais espécies como um risco, o que as fazem ignorá-lo e desta maneira, o animal consegue se reproduzir em escala assustadora. A presença do peixe invasor provoca desequilíbrio no ecossistema marinho e afeta diretamente o estoque de peixes nativos.

Em alguns países, o abate do peixe-leão já é permitido. Mas em outros lugares, a solução para combater o invasor é levá-lo para o prato! Apesar de seus espinhos serem venenosos, a carne não é. E de acordo com quem provou, garante-se que é deliciosa.

Foto: Tchami/Creative Commons/Flickr

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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