Projeto na Assembleia Legislativa do Rio quer facilitar plantio de eucalipto na Baía de Ilha Grande

Projeto na Assembleia Legislativa do Rio torna mais fácil plantio de eucalipto na Baía de Ilha Grande

Ilha Grande é um dos maiores orgulhos e paixões dos moradores do estado do Rio de Janeiro. Considerada um patrimônio nacional, é reconhecida como Reserva da Biosfera da Mata Atlântica pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Na área da baía, estão localizados o Parque Estadual da Ilha Grande, a Reserva Biológica da Praia do Sul, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Aventureiro e a Área de Proteção Ambiental dos Tamoios.

O primeiro, é sem dúvida nenhuma, o mais conhecido e visitado por turistas, com uma rica biodiversidade marinha e terrestre. Criado em 1971, o parque de Ilha Grande teve 87% de sua área declarada reserva de proteção em 1987.

Pois uma denúncia do deputado estadual Luiz Paulo (PSDB), publicada pelo jornal Extra, revela que através da mensagem 38/2018, o governador do Rio de Janeiro tenta alterar as regras sobre o plantio de árvores em Ilha Grande.

Segundo o texto da sugerida emenda, seriam criados “distritos florestais” e ficaria liberada a silvicultura econômica nesses locais, ou seja, o plantio de árvores para fins comerciais, até então proibidos ali.

De acordo com a reportagem do Extra, o principal objetivo da modificação na lei seria facilitar o plantio de eucalipto, “árvore que já está pronta para o corte em apenas cinco anos, mas que, em compensação, consome litros e litros de água, além de empobrecer o solo”.

O texto é assinado pelo governador, Luiz Fernando de Souza, o Pezão. Nele, a justificativa é a seguinte:

A atividade de silvicultura econômica, importante e estratégica para o país, é pouco desenvolvida no estado do Rio de Janeiro, comparativamente aos estados circunvizinhos como São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais, que apresentam expressivas áreas de cultivo com espécies de rápido crescimento com vários usos.

Tal situação decorre de uma conjuntura de fatores associados que resultam na falta de uma política estadual de fomento florestal. A pouca tradição do estado no cultivo de florestas, as restrições da legislação estadual, a inexperiência de linhas de créditos específicas para a silvicultura econômica, a baixa capacidade técnica instalada e ainda deficiências de infraestrutura de transporte contribuíram para desestimular os plantios e o desenvolvimento da indústria de base florestal no Rio de Janeiro…”

Mas será que é preciso investir na “silvicultura econômica” justamente em uma área de preservação ambiental?

O Parque Estadual de Ilha Grande tem 90% de sua área coberta por vegetação da Mata Atlântica, sendo o restante ocupado por restingas, brejos e manguezais.

O animal símbolo do parque é o bugio (Alouatta guariba), um macaco também conhecido como guariba ou barbado, criticamente em risco de extinção. Além deles, outras espécies, raras ou também ameaçadas, têm ali seu habitat, como o ouriço-cacheiro, jaguatirica e lontra. Há ainda espécies endêmicas (que só existem ali e em nenhum outro lugar do mundo), como a rã-de-fredy (Hylodes fredi). Entre as aves, é possível observar o tangará dançarino, araponga, pavó, maitaca, tiriba, martim-pescador, gavião-pomba e bacurau.

Com tantos seres a serem protegidos, por que estimular o início ali de uma atividade econômica que pode trazer impacto para a região, como o plantio do eucalipto, uma árvore que não é nativa da Mata Atlântica?

Faz-se ainda especulações sobre o motivo para que o atual governador envie uma proposta à Assembleia Legislativa, sem alarde, poucos meses antes de deixar o governo. Estaria defendendo os interesses de alguém ou de algum grupo?

O deputado Luiz Paulo afirmou que irá pedir uma uma audiência pública para debater a fundo a mensagem e que, já teria preparado 13 emendas para ela. Sua intenção é que a proposta volte às comissões da casa e saia da pauta.

*Com informações do Wikiparques 

Foto: Márcio Vinícius Pinheiro/Creative Commons/Flickr

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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