Projeto inédito usa ostras para limpeza da água do porto em Nova York


Projeto inédito usa ostras para limpeza da água do porto em Nova York

Uma solução natural para resolver um problema provocado pelo ser humano. Em uma iniciativa inédita, ostras são utilizadas para recuperar a água poluída do porto de Nova York, o NY Harbour, uma das atrações da cidade americana.

Cada ostra consegue limpar até 190 litros de água. Por dia, esse é o volume que, ao se alimentar, um molusco adulto purifica a água, retirando dela todos os poluentes, incluindo sedimentos e nitrogênio.

“O porto de Nova York é um sistema natural altamente degradado”, explicam Pete Malinowski, diretor executivo e Murray Fisher, presidente do Billion Oyster Project. “Os recifes de ostras têm o poder de transformar esse lugar, pois fornecem habitat para milhares de espécies marinhas, filtram a água e podem ajudar a proteger a costa contra danos provocados por tempestades. ”

O projeto é realmente incrível. Envolve toda a comunidade: voluntários, alunos de escolas públicas e restaurantes. Conchas de ostras já consumidas são doadas pelos restaurantes e usadas então por estudantes, que as limpas e colocam nelas larvas dos moluscos, em seguida, levadas para as fazendas artificiais ao longo do porto.

Estudantes de escolas públicas são parte vital do projeto

O Billion Oyster Project começou em 2014 e já “plantou”, até agora, 28 milhões de ostras. Foram 4 toneladas de conchas recicladas e quase 90 trilhões de litros de água despoluídas. E o número de pessoas participantes? Ah, esse é fantástico. 1,2 mil estudantes do Ensino Médio, 6,5 mil do Fundamental II e mais de 1 mil voluntários.

Cada ostra adulta purifica até 190 litros de água

No passado, o porto de Nova York era habitat de milhões de recifes de ostras. Eram eles que garantiam a subsistência dos povos Lenapes, por volta de 1609. Acredita-se que o estuário era um dos mais diversos e pristinos do planeta.

Trezentos anos depois, as águas do porto já não tinham mais vida. Eram completamente tóxicas, tal a poluição ali. Foi só em 1972, com o chamado “Ato da Água Limpa”, que ficou proibido o despejo de esgoto e lixo no local.

Mas ainda hoje, quando chove em Nova York, lixo e esgoto vão parar no rio Hudson e degradam sua água. As ostras agem então como “engenheiras do ecossistema”, removendo o nitrogênio em excesso, que se continuasse, estimularia o crescimento de algas que tiram o oxigênio da água e comprometem a saúde de outros seres marinhos.

Nova York sonha em ser novamente a “capital mundial da ostra”

A meta do Billion Oyster Project é que, até 2035, 1 bilhão de ostras sejam cultivadas em mais de 400 milhões de m2. O grande sonho dos idealizadores do projeto é que, novamente, esse ecossistema seja um exemplo de biodiversidade nas água do Atlântico Norte e que Nova York volte a ser conhecida como “a capital mundial das ostras”.

Outros projetos similares, usando ostras para a recuperação de cursos hídricos, estão em andamento nos Estados Unidos, em rios da Carolina do Norte e na região de Cape Cod.

*Com informação do World Economic Forum Agenda 

Fotos: divulgação Billion Oyster Project e domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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