Projeto de energia sustentável dá à cientista brasileira uma das renomadas bolsas do Prêmio Marie Curie

Este ano, a Marie Skłodowska-Curie Actions (MSCA), programa promovido pela Comissão Europeia, para financiar pesquisadores promissores do mundo inteiro, em diversas áreas do conhecimento, recebeu quase 10 mil inscrições. Entre os oito selecionados para ganhar a concorrida bolsa está uma brasileira, Carolina Marcelino, pós-doutoranda do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Aos 35 anos, Carolina é doutora em modelagem matemática e tem um projeto que alia o uso de inteligência artificial (IA) para produção, geração e transmissão de energia elétrica sustentável.

Na prática, o que se pretende é gerar energia em micro-redes, e dessa maneira, beneficiar comunidades mais carentes, que não têm acesso à energia elétrica, e assim, melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. Outro ponto importante do projeto é a redução das emissões de gases poluentes porque aplica o uso de geração sustentável de energia.

“Quando você entrega energia elétrica para uma comunidade, a qualidade de vida dessas pessoas melhora. Os alimentos passam a ser melhor armazenados, isso previne doenças. Além disso, com os modelos matemáticos e a inteligência artificial é possível escolher qual a melhor forma de gerar esta energia: se é via painéis fotovoltaicos, ou um conjunto de turbinas ou se são dois sistemas combinados”, afirmou a pesquisadora, para a jornalista Elida Oliveira, do portal de notícias G1.

Carolina é a única cientista da América Latina a receber a bolsa Marie Curie em 2019. Além dela, outros seis pesquisadores europeus e um chinês foram escolhidos.

A brasileira assinará um contrato, no valor de € 4.500 mensais, por dois anos, para trabalhar em seu projeto na universidade de Alcalá, na Espanha, e depois pretende voltar para atuar aqui.

Assim como outras pesquisadoras mulheres no Brasil, ela ressalta a importância do investimento no

a, algo que vem sendo tão menosprezado pelo atual governo, através de cortes impostos a instituições de renome no país.

“A educação, para mim, é uma ferramenta transformadora. Estudei em escola pública, minha graduação foi no Instituto Federal do Espírito Santo, em computação, fiz mestrado e doutorado no Cefet de Minas Gerais. Fui para o Rio com bolsa de pós-doutorado Nota 10 da Faperj”, diz. ” Tudo foi difícil nesta trajetória. Não consegui essa distinção agora, isso foi construído ao longo do tempo. É a prova de que o investimento na formação do pesquisador traz retorno e isto é uma conquista de todos”

*O nome do prêmio da Comissão Europeia é uma homenagem à cientista polonesa Marie Skłodowska-Curie, que graças a seus estudos sobre a radioatividade, dividiu o Nobel de Física com o seu marido, Pierre Curie, e o físico Henri Becquerel, em 1903. Em 1911, Marie recebeu o Nobel de Química.

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Foto: divulgação Coppe/UFRJ

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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