Projeto ‘Costurando o Futuro’ se expande no Paraná

Conheci o projeto Costurando o Futuro, em São Paulo, por meio de grupos produtivos localizados em cidades do ABC paulista, via Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários (Unisol Brasil). Desde então, fiquei fã e vivo usando as peças e presenteando pessoas com mochilas e bolsas produzidas a partir do reaproveitamento de tecido automotivo, cintos de segurança, uniformes e bancos de carro.

Além de bonitas, as peças evitam que esse material vire resíduo e vá parar em aterros, dando vida útil a ele e o transformando em belas e duráveis peças. Mais ainda, geram renda para mulheres que trabalham com costura, e que de outro modo estariam fora do mercado de trabalho por razões variadas. É a economia solidária girando a roda.

O projeto é desenvolvido pela Fundação Volkswagen em parceria com a Aliança Empreendedora e a Rede Asta, e já promoveu a reutilização de 76 toneladas de tecido e capacitou 434 empreendedoras e empreendedores.

No Paraná, o projeto Costurando o Futuro está capacitando 200 mulheres em costura, design e empreendedorismo. Em seu terceiro ano de funcionamento no estado, a iniciativa chega a habitantes de oito cidades da Região Metropolitana de Curitiba, realizando atividades presenciais em cinco delas: Rio Negro (englobando empreendedoras também de Campo do Tenente), Mandirituba (incluindo empreendedoras de Quitandinha), Lapa (com empreendedoras também de Contenda), Agudos do Sul e Piraquara. Em etapa anterior, outras 200 mulheres já receberam capacitação em Francisco Beltrão e arredores, na região sudoeste do estado.

Lá, o trabalho é desenvolvido por meio de uma parceria entre Governo do Estado do Paraná, Fundação Volkswagen, Aliança Empreendedora, Academia Burda e Badu Design. Funciona assim: o Governo do Estado indica cidades com mais vocação para aproveitamento do projeto. A Academia Burda promove a formação em costura, a Badu Design entra, claro, com a parte de design, e a Aliança Empreendedora promove a formação em empreendedorismo.

Depois de tudo isso, as mulheres que participam do projeto recebem um certificado de formação e as melhores dez ideias de negócio e/ou protótipo de produto desenvolvidos são premiados pelo concurso Meu negócio é costura com uma máquina de costura idêntica à utilizada no curso, materiais e mentoria para que os primeiros passos nos negócios tenham êxito.

Atuação em rede

Mas não para por aí. As pessoas que passam pelo projeto – a grande maioria são mulheres, mas há também homens participando das formações – passam a integrar a Rede Costurando o Futuro, cujo objetivo é fortalecer os negócios, possibilitando compras coletivas, troca de experiências, o estabelecimento de parcerias mais estruturadas e o acesso a canais de venda para as peças.

Em geral, os produtos são vendidos em feiras e bazares. Mas a mobilização via rede consegue ampliar esses espaços. É o caso da Rede Costurando o Futuro em São Paulo, que tem conseguido promover vendas em shoppings e lojas sociais – já escrevi aqui, no Conexão Planeta, sobre essa experiência. A Rede no Paraná tem no horizonte seguir também esse caminho.

Outra rede envolvendo costura, que já abordei aqui, é a Costura Solidária SP, que se formou no âmbito do projeto Ecosol SP como estratégia de desenvolvimento, realizado na capital paulista entre os anos de 2015 e 2017.

O desafio maior nesses casos é sempre a autogestão das redes e o desenvolvimento da percepção, entre seus integrantes, de que o trabalho em grupo fortalece os negócios e ampliar as possibilidades de atendimento em maior escala.

Recentemente adquiri uma mochila da Rede Costurando o Futuro em São Paulo. Encomendei o produto, efetuei o pagamento e peguei minha encomenda na catraca do metrô São Bento, diretamente com a costureira que teceu a peça. A Tecoste Confecções, empreendimento que confeccionou a mochila, está localizada em São Bernardo do Campo. Tenho também peças da Charlotte Arte, que integra a mesma rede e está localizada na mesma cidade.

A escolha por consumir essas peças traz a valorização do trabalho das mulheres, a remuneração justa para quem produz e o cuidado com o meio ambiente.

Conheça um pouco mais desse universo no vídeo sobre a Charlotte:

Foto: Aliança Empreendedora/Divulgação

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

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