Projeto brasileiro de educação ambiental ganha prêmio internacional

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Os moradores do entorno do Parque Estadual da Serra da Tiririca e do Parque Municipal Darcy Ribeiro, em Niterói, já estavam acostumados com a presença de simpáticos miquinhos na região. Sempre que os viam pulando entre as árvores, ofereciam alimentos. Os animais são da espécie mico-leão-da-cara-dourada (Leontopithecus chrysomelas) – na foto na abertura deste post -, e apesar de viverem ali, não são nativos do Rio de Janeiro. O mico-leão-da-cara-dourada pertence à Mata Atlântica da Bahia. Provavelmente chegou às florestas cariocas pela mão de traficantes de animais.

A espécie nativa do Rio é o mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), que aparece mais abaixo. Ambas estão ameaçadas de extinção e o encontro entre elas pode aumentar ainda mais o risco de sobrevivência destes animais, já que competem pelos mesmos alimentos e locais de dormida.

Mico-leão-dourado_ Haroldo Palo Jr

Para garantir a preservação das duas espécies, em 2011 o Instituto Pri-Matas para a Conservação da Biodiversidade iniciou trabalho de repatriamento, ou seja, transferência dos micos-leões-da-cara-dourada para seu habitat original, na Bahia.

Mas para que o projeto fosse um sucesso, era preciso envolver e explicar à comunidade de Niterói a importância da remoção dos micos. As educadoras Aline Oliveira Santos, Susie Rodrigues Pinto e Maria Cecilia Kierulff, do Instituto Pri-Matas, decidiram então criar a história “Micos-leões-da-cara-dourada a caminho de casa”, que foi encenada em teatro de fantoches para estudantes da Educação Infantil e contada através de outros métodos para os alunos mais velhos de escolas públicas locais. De maneira bastante lúdica e com técnicas simples, a história mostrava como o mico-leão-de-cara-dourada chegou à área, o problema que poderia causar para o mico-leão-dourado e o porquê da transferência para a Bahia.

Agora a criatividade das educadoras brasileiras acaba de ser reconhecida internacionalmente. Elas foram as vencedoras do PEN’s Storytelling Contest, prêmio de contação de histórias, da Primate Education Network, rede que conecta e dissemina estratégia de educadores conservacionistas de primatas. O objetivo da premiação é mostrar como a contação de histórias, um dos mais antigos métodos de educação do mundo, pode ajudar na preservação ambiental.

“A interação com a comunidade local foi uma etapa essencial do projeto para que a remoção dos micos-leões-da-cara-dourada tivesse êxito. Este prêmio é o reconhecimento de um grande esforço. Somos em poucos, mas trabalhamos intensamente, com motivação e paixão por esses animais”, diz Maria Cecilia Kierulff, coordenadora da iniciativa.

Além da história, a equipe do Instituto Pri-Matas também promoveu debates com adultos da comunidade e desenvolveu folhetos informando à população que os micos não deveriam ser alimentados e que quando fossem encontrados, a organização deveria ser avisada.

Até agora já foram removidos mais de 760 micos-leões-da-cara-dourada das florestas do Rio, sendo que a expectativa é que faltem menos de 20 indivíduos para serem retirados. O projeto tem o apoio Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

Neste link, você pode ler a história criada pelas educadoras brasileiras e que foi vencedora do PEN’s Storytelling Contest.

Foto: bathyporeia/creative commons/flickr (mico-leão-da-cara-dourada) e Haroldo Palo Jr./divulgação Fundação Boticário (mico-leão-dourado)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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