Professor do Mato Grosso é primeiro brasileiro a concorrer ao Global Teacher Prize, o “Nobel” da Educação

professor marcio de andrade, indicado ao Global Teacher Prize
Filho de uma professora, Márcio Andrade Batista (em meio aos colegas, na foto acima) mora em Barra dos Garças, município a pouco mais de 500 km de Cuiabá. Quando não está ensinando em sala de aula, gosta de conversar com a esposa, brincar com seu cachorro e ler. Mas Márcio tem pouco tempo livre porque está extremamente comprometido em mudar e melhorar a educação brasileira e disseminar a importância da sustentabilidade ambiental.

Justamente por esta razão, este professor do Mato Grosso é o primeiro brasileiro a ser indicado ao Global Teacher Prize, premiação anual, criada em 2014 pela Varkey Foundation.

O prêmio, considerado um Nobel da educação, tem como objetivo valorizar a profissão do professor, reconhecendo práticas inovadoras e exemplares nas escolas e desta maneira, inspirando estudantes, comunidades e meio acadêmico.

Batista é um dos 50 finalistas, selecionados entre 8 mil candidatos de 148 países. O grande vencedor vai receber o prêmio de US$ 1 milhão. A disputa será acirrada, pois o brasileiro concorrerá com docentes de países com realidades tão diferentes como Paquistão, Índia, Estados Unidos, México, Reino Unido, Quênia e Polônia.

Nascido em Marília, o professor é graduado em Engenharia Química pela Universidade de São Paulo (USP), com mestrado na mesma área. Atualmente dá aulas na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Barra do Garças, e também trabalha voluntariamente com alunos do ensino médio no interior do estado. Uma de suas principais preocupações é que, em locais remotos do Brasil, os estudantes têm enorme dificuldade em obter acesso à pesquisa científica – principalmente meninas, vinda de famílias pobres.

Além de promover a iniciação científica, o professor estimula o estudo e uso de produtos típicos do Cerrado em seus trabalhos com os jovens estudantes. Um de seus projetos, em que o soro de leite foi utilizado para enriquecer nutricionalmente a massa de pão, sua aluna acabou recebendo o Prêmio Jovem Cientista. Nunca antes um estudante do Mato Grosso tinha ganho este prêmio.

Márcio Batista já coleciona diversos troféus na área acadêmica. Mas nada igual ao Global Teacher Prize. Para este, foi indicado pelo projeto com o baru, castanha típica da região, que foi transformada em farinha para ser usada como complemento alimentar. O pesquisador acredita que é preciso investir no potencial econômico e social de espécies locais.

O resultado do Global Teacher Prize será anunciado em março, numa cerimônia em Dubai. Por e-mail, o professor do Mato Grosso deu esta breve entrevista ao Conexão Planeta:

Qual a importância de se utilizar elementos naturais do país na sala de aula para estimular estudantes?
Primeiro e mais importante é a sustentabilidade. Estudantes precisam interagir com os meios ambiental e social onde vivem. Segundo, valorizar as riquezas naturais do Brasil, ajudando a criar produtos de valor agregado e em total equilíbrio com o meio ambiente.

O senhor também já criou uma bateria solar (invenção pela qual recebeu o Prêmio Novelis de Sustentabilidade). Por que o interesse na sustentabilidade?
Criei uma estrutura de alumínio, que tem uma placa solar acoplada e pode ser usada para carregar o celular.  A razão do interesse é simples: temos que pensar hoje nas soluções dos problemas futuros. Água, energia, alimentos, tratamento de resíduos, ar. Criar massa crítica para pensar nestas questões é uma condição sui generis para manter o equilíbrio sustentável.

Qual é a importância da educação para o presente e futuro do Brasil?
Não existe outro modo de provocar transformações sociais e impactos, que não seja pela educação.

Como está se sentindo em ser um dos finalistas do Global Teacher Prize?
Muito feliz.

Se for o vencedor, o que fará com o dinheiro recebido?
Compromisso público assumido: se ganhar, usarei o dinheiro para construir uma escola de soldadores em Barra do Garças.

Foto: arquivo pessoal 

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente.

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